Sem avanços, mobilização é a resposta à intransigência do banco

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A Caixa Econômica Federal não apresentou qualquer contraproposta na quinta-feira (29/8) para solucionar demandas em relação à contratação de pessoal, carreira e isonomia de direitos entre novos e antigos empregados, durante a terceira rodada de negociação da pauta específica da Campanha 2013 com o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT e assessorado pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), realizada em Brasília.


A Caixa se limitou a afirmar que irá esperar os resultados da negociação entre o Comando Nacional e a Fenaban na próxima quinta-feira, dia 5/9, para só depois apresentar uma proposta global aos trabalhadores da empresa. De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará, Marcos Saraiva, “o resultado desta negociação foi mesmo frustrante, sobretudo por não registrar nenhum avanço para os empregados. A solução é reforçar a nossa mobilização e partir para a pressão, que parece ser a única linguagem que os banqueiros entendem”.


No início da reunião, a Caixa comunicou ao Comando Nacional que o acordo aditivo à convenção coletiva fica prorrogado até a data de 30 de setembro, com a expectativa de que, até lá, a campanha deste ano esteja concluída.


Contratação de pessoal – Os primeiros pontos discutidos foram relacionados à contratação de pessoal. Os dirigentes sindicais voltaram a cobrar maior rapidez no processo de convocação de concursados para melhorar as condições de trabalho, principalmente na rede de agências. Foi lembrado, por outro lado, que a empresa continua insistindo com a política de abrir unidades sem estrutura adequada e com número insuficiente de trabalhadores, situação essa que vem sobrecarregando o pessoal lotado nas unidades. Os dirigentes sindicais criticaram ainda o fato de o nível de contratações não vir acompanhando o ritmo de abertura de novas agências em todo o País, estrangulando a saúde dos trabalhadores.


Para resolver essas situações, o Comando Nacional propôs, entre outras medidas, a contratação de novos empregados, chegando ao quantitativo de 120 mil bancários até o final de 2014. Foi reivindicada ainda quantidade mínima de 20 empregados por agência, além de reposição de empregado no caso de afastamento por mais de seis meses, sem prejuízo deste no seu retorno.


Os trababalhadores cobraram também a contratação permanente para reposição de empregados aposentados, demitidos ou afastados e o fim das discriminações no estágio probatório, tendo em vista que muitos empregados são desligados compulsoriamente tão logo esse processo esteja concluído.


A empresa, no entanto, negou o atendimento dessas reivindicações. Alegou, para isso, a necessidade de respeitar os limites impostos pelo controlador. Até o fim de 2013, a autorização é para que o quantitativo de empregados chegue a 103 mil, podendo alcançar o patamar de 105 mil até dezembro de 2014. Para 2015, a meta é de 112 mil trabalhadores, no máximo. Hoje, chega a 99.024 o número total de empregados.


No tocante à reposição de empregados em unidades com carência de mão de obra, a Caixa argumentou que esse trabalho já está sendo feito. A Caixa informou ainda que, hoje, é de 9,1 a média de empregado nas unidades que estão sendo abertas.


Isonomia – O Comando Nacional cobrou equiparação de direitos de todos os empregados em relação à licença-prêmio e ao Adicional por Tempo de Serviço (ATS). Ambas as reivindicações foram consideradas complexas pela Caixa, que alegou duas razões para não atendê-las: dificuldades orçamentárias e resistência por parte do controlador. Há hoje, segundo o banco, apenas 28 mil empregados que ainda usufruem do benefício do ATS.


Carreira/PSI – Os representantes dos trabalhadores cobraram ajustes no formato do Processo Seletivo Interno (PSI). A reivindicação é de que haja transparência nos critérios e universalização das participações.


Uma das reivindicações mais urgentes é a criação de Comitê de Acompanhamento dos PSIs e do Banco de Oportunidades (Bancop), com participação dos empregados e um membro da Gipes. Dois outros itens reivindicados foram a criação de função gratificada de assistente no Atendimento Social, para quem trabalha no setor social da empresa, e criação de banco de reserva de avaliadores de penhor, na medida de 50% das funções existentes. Foi cobrada ainda a valorização da função de avaliadores de penhor, com revisão do piso do mercado. Os dirigentes sindicais criticaram o fato de a Caixa não deixar claro para os trabalhadores os critérios utilizados para descomissionar.


Conselho de Administração – O banco informou ainda aos dirigentes sindicais que serão feitas as alterações necessárias no estatuto da Caixa, com publicação do edital do calendário eleitoral em novo formato, o que significará a efetivação do fim das restrições para participação de qualquer empregado na escolha do representante dos trabalhadores no Conselho de Administração.


Nova rodada – Os temas pertinentes à Funcef, jornada e Sistema de Ponto Eletrônico (Sipon) serão tratados em nova rodada de negociação na próxima terça-feira, dia 3/9, às 15h, em Brasília.