SINAL DE ALERTA: A PRIVATIZAÇÃO ESTÁ CHEGANDO AOS POUCOS!

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará


De acordo com matéria divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo publicada dia 23/7, a equipe econômica do governo Bolsonaro já vendeu R$ 16 bilhões de ativos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, seguindo sua diretriz de desestatizar o crédito no Brasil.


Com o “desinvestimento” defendido pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, somente no 1º semestre o banco vendeu as ações do ressegurados IRB Brasil Re e da Petrobrás, arrecadando R$ 10 bilhões. Segundo informou o presidente do banco público, outras 15 operações estão previstas para breve. Medidas que também estão sendo estudadas para serem aplicadas, guardadas as proporções e particularidades, ao Banco do Brasil.


Os bancos públicos desempenham um papel fundamental na economia brasileira, pois são importantes instrumentos de política econômica e de promoção do desenvolvimento econômico e social. Entretanto, o atual governo tem a intenção de enfraquecer sua atuação no mercado interno, para futuramente, privatizá-los. O objetivo é fazer com que a iniciativa privada ocupe esse espaço. Mas será que os bancos privados farão o que os bancos públicos fazem ou será que irão se guiar apenas pela lógica do maior lucro com menor custo?


E isso não se detém apenas aos bancos. O governo Bolsonaro vendeu, no dia 23/7, 30% das ações da BR Distribuidora, o que tirou da Petrobras, e dos brasileiros, o controle da maior empresa de distribuição de combustíveis do país. Essa foi a segunda fase da venda da BR, que até 2017 era uma empresa 100% pública, como a Caixa Econômica Federal. Até o dia 23, a Petrobrás detinha 71,25% das ações da BR, agora tem apenas 41%. A medida revela, na prática, que a equipe econômica de Bolsonaro está mesmo disposta a vender os ativos, se desfazendo de pontos estratégicos para a economia brasileira e com vistas a iniciar privatizações de setores importantes, como nossos bancos públicos, por exemplo. Essas “pequenas” vendas representam um alerta ao povo brasileiro, mostrando claramente o plano de governo de Bolsonaro de vender o patrimônio público.


No caso da Petrobrás, Caixa, BB e Eletrobrás, há outra questão além da econômica, pois são empresas rentáveis e referências no mercado internacional, com importante papel estratégico e social para o nosso país. É visível a intenção do governo de enfraquecer os bancos públicos frente ao mercado privado e ao sistema financeiro com a nítida intenção de privatização. O objetivo é enfraquecer nossa soberania nacional.


Por tudo isso, é de fundamental importância que as pessoas acordem urgentemente para o cenário que está se desenhando no Brasil. Precisamos conversar com as pessoas, reforçar nossa mobilização em defesa das empresas públicas e contra todo tipo de retrocesso. Somente com a união da classe trabalhadora poderemos impedir essa nova onda de privatizações, conscientizando a sociedade dos males dessa postura do governo. Com a venda dessas empresas, o combustível vai ficar mais caro, o acesso a habitação vai ficar mais difícil, o agronegócio e a agricultura familiar vão ser prejudicados, encarecendo a comida que chega na nossa mesa.


Defender as empresas públicas significa, portanto, defender um país melhor, mais desenvolvido, menos desigual, mais justo e mais fortalecido. Se é banco público, é para todos!