Sindicato cobra transparência no Processo Seletivo

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Após receber denúncias sobre a ocorrência de fraudes no Processo de Seleção Interna por Competência (PSIC) da Caixa Econômica Federal em Fortaleza, o Sindicato dos Bancários do Ceará se reuniu com os empregados do banco e confirmou a indignação da categoria quanto a falta de lisura e transparência no processo.


Segundo relatos dos empregados, há problemas até na divulgação do processo e na própria execução do PSIC, pois o conteúdo objetivo, como provas escritas e capacitação apresentada acabam ficando em segundo plano, levando vantagem o que é analisado nas entrevistas. Ou seja, o caráter subjetivo vale mais que o objetivo na seleção. Os casos relatados envolvem setores importantes da Caixa, como a Gerência Executiva de Habitação (GIHAB/FO), responsável, inclusive, pelo programa Minha Casa Minha Vida.


Os empregados denunciaram casos de substituições exercidas além do período permitido pelos normativos da Caixa (60 dias) sem abertura de processo de seleção, além de claras manipulações quando estes mesmos processos são abertos. No caso da GIHAB, o processo foi divulgado apenas na intranet, e não via e-mail, como é de costume, e foi aberto apenas para uma única vaga, mesmo havendo outras com empregados substituídos. Estranhamente, a empregada que assumiu a função foi transferida cerca de um mês antes para a unidade, e assumiu apesar de ser a segunda colocada no processo seletivo. Acontece que a primeira colocada assumiu outra vaga disponível na unidade, mesmo a função não fazendo parte do PSIC aberto.


Diante das denúncias, os diretores do Sindicato e da Apcef/CE, Marcos Saraiva, Áureo Júnior, Rochael Almeida, Túlio Menezes e Jefferson Tramontini estiveram no último dia 16/7 na GIHAB para conversar com os empregados sobre o processo. A partir dos debates, o Sindicato deve encaminhar à direção da Caixa um documento cobrando a anulação do processo e a realização de uma nova seleção dando amplo conhecimento para todos os interessados.


“Ao que tudo indica, o processo mudou de nome (antes era PSI), mas as práticas continuam as mesmas: sendo manipulado para privilegiar alguns, obedecendo a interesses pessoais. O que nós queremos é um processo seletivo transparente, sem manipulação ou apadrinhamento e é isso que estamos cobrando do banco”, explica Áureo Júnior, presidente da Apcef/CE.


Acompanhamento – Em nível nacional, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) reivindica a criação de um comitê de acompanhamento para discutir melhorias no PSIC. O motivo são as inúmeras denúncias sobre problemas na aplicação das provas para vagas de assistente e consultor. Por isso, a revisão do PSIC, que era uma necessidade, tornou-se uma demanda urgente. “É inadmissível que a Caixa permita que situações desse tipo venham a prejudicar a lisura, a equidade e a qualidade dos seus processos seletivos internos”, afirma o diretor do Sindicato, Marcos Saraiva.


O banco se recusou a atender reivindicação das entidades representativas de um comitê paritário para acompanhar e sugerir melhorias no PSIC.


“É lamentável que o banco mantenha a postura arrogante e intransigente de não reconhecer os problemas ocorridos. É preciso eliminar o clima de incertezas que permeia o processo seletivo”
Marcos Saraiva, diretor do SEEB/CE e membro da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa)