Sindicato defende Caixa 100% pública

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O Sindicato dos Bancários do Ceará (SEEB/CE) rejeita a abertura do capital da Caixa Econômica Federal e defende a sua manutenção como empresa 100% pública, a respeito de declaração da presidente Dilma Rousseff em dezembro do ano passado.  “Vou abrir o capital da Caixa, mas é um processo demorado”, afirmou Dilma a jornalistas no dia 22/12, após café da manhã no Palácio do Planalto.


Segundo o presidente do Sindicato, Carlos Eduardo Bezerra, “não existe motivo para abrir o capital da Caixa, um banco público com extraordinário papel social. Isso só iria enfraquecer a atuação da Caixa e afetar os programas sociais do governo, pois os acionistas vão pressionar para aumentar os lucros, para gerar dividendos, colocando em segundo plano o seu papel social”.


A Caixa foi mantida aos trancos e barrancos nos anos 1990 e o resultado foi uma reestruturação financeira e patrimonial em 2001, com o intuito de privatizá-la, período em que as políticas públicas foram abandonadas. Agora, ao abrir o capital da Caixa Econômica Federal  o governo vai torná-la semelhante ao Banco do Brasil. Questiona-se: “será que o governo tem interesse de ficar majoritário em dois bancos com o mesmo objetivo? Ou vai privatizar um deles, vendendo para um banco privado?”


Segundo o economista Jorge Mattoso, ex-presidente da Caixa e professor aposentado da Unicamp, como consequência da venda de ações, o banco público possivelmente deixaria de existir enquanto Caixa, pois seria incorporada pelo Banco do Brasil ou vendida a algum banco privado. Em sua avaliação, a medida “levaria ao fim da Caixa como banco público, até agora capaz de gerar políticas inovadoras, criar novos mercados, favorecer ações sociais e alavancar políticas anticíclicas quando do agravamento da crise econômica no mundo”.


A Caixa é patrimônio do povo brasileiro e é o terceiro maior banco do País em ativos totais. Em setembro, a Caixa tinha R$ 1 trilhão em ativos, segundo dados do Banco Central, atrás do também público Banco do Brasil, com R$ 1,3 trilhão e do privado Itaú com R$ 1,1 trilhão.


“É preciso manter um banco público forte e competitivo como a Caixa, para que o Brasil continue  assegurando crescimento com distribuição de renda. Se confirmada a abertura de capital, a Caixa deixaria de ser um banco público para se transformar apenas em mais um banco”
Marcos Saraiva, diretor do Sindicato e empregado da Caixa