Sindicato dos Bancários do Ceará completa 77 anos em defesa do trabalhador

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Fundado em 21 de fevereiro de 1933, o Sindicato dos Bancários do Ceará hoje é uma referência quando se fala na luta em defesa dos trabalhadores. Considerado um dos maiores sindicatos de bancários do País, o SEEB/CE tem participado ativamente de momentos importantes da história do Brasil. A entidade sobreviveu a dois golpes de Estado (o Estado Novo de Getúlio Vargas e o golpe militar de 1964) e a vários planos econômicos governamentais. Presenciou o suicídio de Getúlio Vargas, a renúncia de Jânio Quadros e o impeachment do presidente Fernando Collor, luta de que participou ativamente no Ceará. Isso sem falar na eleição de Lula como o primeiro presidente sindicalista da história do Brasil.


Em sua existência, o Sindicato sofreu três intervenções. A primeira foi durante o Estado Novo (1937-1945) e duas vezes no período da ditadura militar (1964-1985).


Num período de efervescência nas lutas sindicais, em 1934, uma greve dos bancários conquista a jornada de seis horas de trabalho. Em 1937, com o início da ditadura de Getúlio Vargas, o Sindicato sofre sua primeira intervenção, que duraria até 1957, quando se elege uma chapa de oposição. A greve do BNB pela equiparação salarial com o BB, em 1962, foi a primeira grande greve após a intervenção.


Em 1964, com o golpe militar há nova intervenção, com a destituição da diretoria e a ocupação do Sindicato. O presidente do Sindicato era na época era um grande lutador da classe trabalhadora, José de Moura Beleza, que chegou a ser candidato a prefeito de Fortaleza. Em 1968, no período mais duro da ditadura, a campanha salarial desencadeia uma greve. Em novas eleições, ganha a chapa de oposição à ditadura. Logo após a posse, há nova intervenção.


Foi somente em 1979 que uma frente política de oposição à ditadura ganha a eleição no Sindicato, assumindo a presidência Maria da Natividade, ligada ao PCB, e funcionária do Banco do Brasil. A predominância do PCB/PCdoB na diretoria do Sindicato permanece até 1988, quando uma chapa ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores) vence a disputa.


Em 1985, ocorre a primeira grande greve nacional da década, uma campanha salarial que consegue unificar a data-base dos bancários. Seguiria-se, até 1989, uma série de greves e conquistas que se incorporam à convenções coletivas da categoria: o Plano de Cargos e Salários (PCS) para os bancos oficiais, equiparação do BB ao BNB e a criação de pisos salariais para os bancos privados. É também, em 1989, que em uma assembleia histórica, o Sindicato dos Bancários do Ceará filia-se à CUT.


O ano de 1990, com o governo Collor, inicia-se a implantação do projeto neoliberal no Brasil, que vem sendo levado a cabo pelo atual presidente, Fernando Henrique Cardoso. O grupo político ligado à CUT e ao PT, que assumiu a direção da entidade pela primeira vez em 1988 continua dirigindo a entidade.


O primeiro presidente dessa nova fase foi Nelson Martins (Banco do Brasil), que foi reeleito para o período 1991/94 (ampliando-se a frente de esquerda que dirige o Sindicato, incorporando novamente militantes do PT/PC do B). A partir daí, assume Tomaz de Aquino (BNB), reeleito por duas vezes (1994/97 e 1997/2003). Em 2003, o empregado da Caixa Econômica Federal e diretor de Finanças da entidade, Vaumik Ribeiro é eleito presidente do SEEB/CE para o período 2003/2006. Atualmente, Vaumik está chefiando a Secretaria de Administração do Município. Em seu lugar, assumiu a presidência do Sindicato, Marcos Saraiva, também empregado da Caixa. Recentemente, em uma eleição onde concorreram duas chapas, o grupo ligado à CUT e ao PCdoB venceu novamente, assumindo a presidência o funcionário do Banco do Brasil, Carlos Eduardo Bezerra. “Juntos, prosseguiremos na luta pela organização da categoria bancária, pela garantia de desenvolvimento econômico, melhorias nas condições de trabalho, avanços sociais e econômicos, por mudanças na estrutura sindical que garantam sindicatos livres, autônomos, organizados, com forte representação de base e também por uma sociedade justa, livre, democrática e soberana”, afirmou Carlos Eduardo.