SISTEMA FINANCEIRO LUCROU R$ 86 BILHÕES EM 2018

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará


O Dieese divulgou recentemente o desempenho dos principais bancos brasileiros no exercício 2018. Segundo o estudo, no ano passado, o lucro dos cinco maiores bancos (Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal) alcançou a incrível marca de R$ 86 bilhões, representando uma alta de 16% em relação ao ano anterior, 2017. Os ativos dessas instituições giram em torno de R$ 6,4 trilhões, com evolução média de 6,6% em 12 meses.


Num cenário totalmente adverso para economia brasileira, com uma recessão fortíssima, cerca de 13 milhões de desempregados, comércio fechando as portas, indústrias demitindo, o setor financeiro parece que é o único que vem se dando bem nesse caos que engloba o país.


Para alcançar tamanha lucratividade, os bancos oneram, principalmente, o bolso de seus clientes. Em 2018, com serviços e tarifas, os bancos somaram R$ 135,2 bilhões. Para se ter uma ideia do que isso representa, ao se comparar o total das receitas de prestação de serviços e tarifas com o total das despesas de pessoal desses cinco bancos, as receitas cobriram entre 116,1% e 185,4% das despesas com pessoal. Os bancos cobrem com folga essas despesas: as maiores coberturas ficaram com o Santander (185,4%) e com o Itaú Unibanco (160,4%).


Os bancários também saíram prejudicados nessa conta. Bradesco, Itaú e Caixa, juntos, fecharam 212 agências bancárias durante o ano 2018. No total dos cinco bancos, houve um fechamento de 108 agências. Esse movimento está relacionado à nova política dos bancos de migração de clientes das plataformas tradicionais de atendimento – as agências bancárias – para os canais digitais. A reestruturação em curso nos grandes bancos passa pela introdução acelerada de novas tecnologias e pelo encolhimento das estruturas físicas e de pessoal. Por sua vez, quem fica nas agências está sofrendo com acúmulo de serviço, cobrança ainda mais exacerbada por metas abusivas, que fatalmente vão parar no campo do assédio moral e do aumento do adoecimento da categoria.


O que se percebe é uma redução gradual dos bancos públicos pairando cada vez mais a ameaça de privatização. Dessa forma, torna-se cada vez mais necessário um profundo debate sobre o papel do Sistema Financeiro diante de um cenário de tanta dificuldade econômica. Os bancos seguem, ano após ano, com resultados exorbitantes, agravando a situação de desemprego no país com o fechamento de milhares de postos de trabalho.


Se tivessem a tal falada “responsabilidade social” que muitos desses bancos apregoam, deveriam atuar no sentido de reduzir spreads bancários, elevar o crédito para reativar a atividade econômica; estudar novas formas de distribuir os ganhos de produtividade oriundos das novas tecnologias e as formas como o Sistema Financeiro deve se inserir em um projeto de desenvolvimento econômico e social, com distribuição de renda e geração de empregos de qualidade. Esse é o sistema financeiro que queremos.