Sobreviventes do massacre de Eldorado dos Carajás pedem fim da impunidade após 15 anos

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As famílias e os sobreviventes do massacre em Eldorado dos Carajás, que completou 15 anos no último domingo (17/4), pedem à sociedade paraense e aos órgãos competentes o fim da impunidade dos responsáveis pela morte de 19 trabalhadores sem-terra. O manifesto reitera a necessidade de políticas de reforma agrária e a consolidação do Assentamento 17 de Abril, onde vivem as famílias.


Entre as reivindicações descritas no manifesto estão a exigência de uma política agrícola associada ao bioma amazônico. Eles pedem ainda a imediata paralisação das obras da usina hidrelétrica de Belo Monte e um plano de reestruturação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para a solução dos conflitos no campo.


As famílias e sobreviventes exigem também a reparação política e econômica aos envolvidos no massacre de Eldorado dos Carajás, assim como um plano de julgamento por parte do Tribunal de Justiça do Estado para os casos que ainda esperam julgamentos.


“Já não somos mais os mesmos, estamos nos reabilitando com o passar dos dias da grande dor e, nessa construção que já perdura 15 anos fizemos muitos progressos na organização social das famílias, no apoderamento político e cultural, na produção de alimentos, na educação, na infância e na juventude”, descreve o manifesto.

HISTÓRICO – Em 17 de abril de 1996, uma ação da Polícia Militar do Pará deixou, além dos mortos, 70 pessoas feridas ou mutiladas. O crime ocorreu quando 1.500 trabalhadores do MST que estavam acampados em uma fazenda saíram em pas-seata em direção à capital do estado para protestar contra a demora no assentamento das famílias que ali viviam. O episódio é emblemático a respeito da situação de conflito no campo no País.