TELETRABALHO É NOVO DESAFIO PARA A CATEGORIA BANCÁRIA

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José Eduardo Rodrigues Marinho, presidente em exercício do Sindicato dos Bancários do Ceará


Em decorrência da pandemia do novo coronavírus e da necessidade de atuação do setor financeiro durante esse período para viabilizar políticas públicas fundamentais, negociamos junto à Federação Nacional dos Bancos a atividade de teletrabalho para boa parte da categoria bancária com o propósito de garantir a vida e saúde dos trabalhadores. A partir daí, milhares de bancários passaram a exercer suas funções em domicílio (teletrabalho).


Esse modelo foi fundamental para o manter o isolamento social, uma das ações mais eficientes para prevenção da Covid-19, mas, dado o ineditismo dessa modalidade de trabalho, dificuldades e contratempos são impostos à vida dos trabalhadores, o que requer aprofundamento por parte das representações sindicais da categoria, organizadas no Comando Nacional dos Bancários. Todos os dias, desde a decretação dessa pandemia, estamos negociando questões pertinentes à categoria com o objetivo de preservar vidas e direitos.


Questões como jornada, equipamentos eletrônicos, ergonomia, saúde física e mental, cobranças de metas, manutenção de todos os direitos previstos em nossa Convenção Coletiva e outros pormenores, são constantemente alvos de negociações das entidades representativas dos bancários junto aos bancos.


O momento exigiu que essa modalidade de trabalho se tornasse, cada vez mais, parte da nossa realidade, mas é preciso se respeitar todos os direitos que o trabalhador tinha antes da pandemia, no seu local de lotação. Se ele não se locomove até o local de trabalho, outras despesas são exigidas para esse regime de trabalho, como, muitas vezes, equipamentos próprios, aumento do consumo de luz, internet e outros encargos que, em tese, têm de ser levados em consideração pelo patronato. Mas tem banqueiro até cogitando retirar direitos por imaginar que o trabalhador está economizando por estar trabalhando em casa.


É preciso observar também que sejam respeitadas as jornadas de trabalho, que muitas vezes se tornam até mais exaustivas, bem como o respeito às cláusulas da Convenção Coletiva, como a não cobrança abusiva de metas, ranqueamento etc.


Além do que já está acontecendo durante a pandemia, uma das preocupações das entidades representativas da nossa categoria é a manutenção dessa modalidade de trabalho no período pós-pandemia. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que o teletrabalho pode aumentar 30% após a pandemia. Diante disso, o assunto será amplamente debatido durante nossas Conferências Regionais, Congressos Nacionais de funcionários e na 22ª Conferência Nacional dos Bancários.


Um dos nossos desafios é o controle de jornada e o respeito absoluto e intransigente aos direitos da categoria. Precisamos também analisar medidas de proteção aos empregos no pós pandemia e regulamentar esse tipo de trabalho de forma a proteger os bancários e a não precarizar ainda mais o atendimento à população, debatendo vantagens e desvantagens do trabalho remoto.


O início desse debate já começou. Até o próximo dia 14/7, bancários de todo o país podem opinar sobre o home office e suas condições de trabalho. Basta acessar o link https://bit.ly/3eYP94I e responder pesquisa elaborada pelo Dieese. A participação da categoria é muito importante nesse processo para definirmos as prioridades da categoria. E em caso de irregularidades, o Sindicato dos Bancários está do seu lado. É só denunciar!