Terceirização não gera emprego, mas garante mais lucro ao capital

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Durante a 11ª Reunião das Redes Sindicais de Bancos Internacionais, realizada no Rio de Janeiro na semana passada, a terceirização foi um dos temas mais debatidos por afligir trabalhadores de toda a América Latina. Numa das apresentações, a bancária Ana Tércia Sanches, dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo mostrou seu estudo de anos sobre o tema. Segundo ela, “o sistema capitalista se reinventa, adota novas formas”. Participaram do evento, representantes do Banco do Brasil, HSBC, Itaú, Santander, BBVA e Scotia Bank de 12 países.


Segundo Ana Tércia, a terceirização faz parte da reestruturação produtiva, que tem se apoiado em três pilares: 1) fusões e aquisições e privatização de bancos estatais; 2) a instauração da telemática; 3) e a organização do trabalho, com nova definição de como será distribuída a força de trabalho. Outro fator determinante é a financeirização da economia, com declínio do setor industrial e crescimento do setor de serviços.


A sindicalista fez uma desconstrução dos “mitos da terceirização”, as vantagens que os empresários tentam vender. A primeira apontada foi a inevitabilidade da terceirização, contestada pela apresentação de casos, somente em bancos, em que operações terceirizadas foram internalizadas: o call center receptivo do Santander, o processamento de cartões de crédito da Caixa e a análise de crédito de cinco empresas – Bradesco, Itaú, BV Financeira, Banco Panamericano e a Financeira HSBC.


Falácias – Ana Tércia apresentou dados levantados pelo Dieese, que apontam que 70% dos trabalhadores que sofrem acidentes de trabalho, e 80% das vítimas fatais, são terceirizados. Terceirização não gera empregos. Também disse que nas terceirizadas, o grau de organização é mais baixo. A organização sindical e as negociações também são prejudicadas pela quebra de identidade profissional do trabalhador, porque ele trabalha para a tomadora, mas é contratado da terceirizada.


Em sua fala no final do evento, Manoel Rodrigues Aporta, funcionário do Santander e dirigente da Comissiones Obreras, da Espanha, fez uma sugestão: que os sindicatos não se furtem a agir na esfera jurídica para defender os terceirizados e criar entraves à terceirização. Outra forma de combater a subcontratação de trabalhadores é sindicalizá-los. “Com estas ações, vai chegar o momento em que terceirizar não compensará”, concluiu.