Terror e humilhação em reunião com empregados da Caixa no Ceará

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O Sindicato dos Bancários do Ceará e a Associação do Pessoal da Caixa (APCEF/CE) receberam denúncias de vários empregados da Caixa que se sentiram, no mínimo, constrangidos, sobre uma reunião realizada no último dia 2/12, no hotel Blue Three, em Fortaleza, com a Superintendência Norte e Sul do Ceará e os gerentes regionais do Estado, Interior e região metropolitana de Fortaleza, para avaliar o desempenho da Superintendência.


O superintendente regional da Caixa, Ricardo Walraven, já abriu a reunião com um tom ofensivo, demonstrando desequilíbrio e usando palavras ofensivas e degradantes, inclusive na frente de pessoas que não fazem parte do quadro funcional da Caixa, além de representantes da Fenae e da Caixa Seguros.


Segundo as denúncias, ao final da reunião, Walraven fez ainda uma avaliação humilhante dos empregados, usando termos como “tenho vergonha de representar vocês”, “a guilhotina vai descer e poucos vão sobrar”, “todos devem se sentir dentro de uma fossa, com a cabeça do lado de fora” etc.


A política do terror parece não vir dando resultado. Quando Walraven assumiu a Superintendência, ela estava em primeiro lugar no Brasil, hoje ela se encontra no Nordeste em último lugar e no Brasil, em penúltimo lugar.


O Sindicato dos Bancários do Ceará e a APCEF/CE consideram que essa forma de tratamento humilhante não condiz com o cargo de superintendente. “Não é esse o caminho para alavancar o desempenho da Superintendência e das unidades. Os gestores e os demais empregados da Caixa precisam de serenidade para apresentar um bom rendimento e um atendimento digno à população. Eles precisam ter condições de trabalho e não receber ameaças do seu gestor. Não é trabalhando sobre pressão que o banco vai crescer”, avalia o diretor do Sindicato e presidente da APCEF/CE, Áureo Júnior.


A Associação dos Gerentes da Caixa (AGCEF), que se fazia representada pelo seu presidente, Evandro Marinho, de quem se esperava que pudesse fazer a defesa da classe gerencial, ratificou o posicionamento de assédio do superintendente, esquecendo que a representação da associação deveria buscar melhores condições de trabalho e não, o uso de chicote para humilhar, intimidar e assediar os empregados.


O presidente da APCEF/CE ressalta que as agências do Interior estão superlotadas e é importante que a Superintendência esteja em sintonia com os empregados e que eles tenham confiança nela, não medo.


Já o diretor do Sindicato, Marcos Saraiva, analisa que a situação dos empregados da Caixa é grave. “Já existe um terror no Interior, por conta dos assaltos a bancos e da carência de pessoal para atendimento, aí vem o superintendente implantar terror em cima dos gestores. Isso poderá causar muitos prejuízos, inclusive causando extrapolação de jornada, onda de assédio moral nas agências da Caixa etc”, disse. Segundo ele, Walraven poderia estar trabalhando no sentido de engrandecer a Caixa, buscando junto à Matriz contratação de pessoal, para com isso atender melhor a população e, não enveredar pelo caminho do assédio moral aos gestores, ao uso do chicote de forma imoral. “Alguns empregados se rebelaram frente a postura do Superintendente e denunciaram ao Sindicato e à APCEF, no entanto, outros vão acabar reproduzindo esse discurso absurdo dentro das unidades”, alerta.

Movimento sindical exige providências – O Sindicato e a APCEF/CE vão encaminhar ofício à direção da Caixa, na pessoa do seu presidente, Jorge Hereda, pedindo que ele interceda, apure os fatos e aponte um novo caminho para a SR Norte e Sul do Ceará. O documento será enviado para Brasília nesta terça-feira, 20/12.