Trabalhadores cobram mais segurança nos caixas eletrônicos

12

Os trabalhadores cobraram mais segurança para o abastecimento de caixas eletrônicos no País, durante audiência pública da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, ocorrida na terça-feira (15/5), em Brasília, sobre o tema “Os furtos de caixas eletrônicos e de terminais de autoatendimento de instituições financeiras no Brasil”. A Contraf-CUT foi representada pelo presidente da Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), José Boaventura Santos, que criticou os bancos e as empresas de vigilância pela falta de segurança para bancários, vigilantes, clientes e usuários.


“Queremos que a operação de abastecimento feita pelos vigilantes não envolva contagem de dinheiro. Lamentavelmente, os vigilantes ainda estão contando dinheiro em corredores de shopping, em porta de supermercado, sem qualquer preocupação dos bancos com a segurança dos trabalhadores”, denunciou Boaventura.

Mortes em assaltos envolvendo bancos – Ele citou os dados da pesquisa nacional da Contraf-CUT e CNTV, que apontou 49 pessoas assassinadas no ano passado em assaltos envolvendo bancos. Desse total, 32 eram clientes e oito eram vigilantes. Neste ano, 10 pessoas já morreram por falta de segurança nos bancos. “O maior embate que travamos atualmente, diante da crescente criminalidade, é o de posições. Enquanto bancários e vigilantes defendem a vida, os banqueiros defendem o lucro”, alertou.

Irresponsabilidade dos bancos – O sindicalista destacou alguns pontos que considera da maior gravidade diante da onda de explosão a agências bancárias, caixas eletrônicos em bancos, supermercados, postos de combustível, shoppings, entre outros estabelecimentos. Ele criticou o abastecimento do dinheiro em locais públicos por parte dos vigilantes de transporte de valores, sem local adequado para isso, sem espaço próprio para estacionar o carro forte.


“Os banqueiros agem como se o problema não fosse deles, jogam a responsabilidade no poder público, no Banco Central e não tomam providências para melhorar a segurança no abastecimento de caixas eletrônicos, muitas vezes feito em locais de grande aglomeração de pessoas”, frisou.


Boaventura também denunciou a resistência dos bancos que, por questões estéticas, não colocam biombos em frente aos caixas nem divisórias individualizadas entre caixas eletrônicos para proteger os clientes do crime chamado de “saidinha de banco” que começa dentro dos bancos e tem vitimado inúmeras pessoas.


Outro problema apresentado diz respeito às agências bancárias, alvos de explosão dos criminosos. Os trabalhadores cobram que os vidros das fachadas sejam blindados, que se coloquem grades ou outros mecanismos para proteger a vida dos bancários, vigilantes e clientes, sempre destacando a responsabilidade dos bancos e a falta de mais investimentos em segurança bancária.

Investimentos em segurança – O diretor da Febraban, Pedro Oscar Viotto, disse que os bancos investem mais de R$ 9 bilhões por ano em segurança, mas não abriu os números. Entretanto, segundo dados do Dieese, com base nos balanços dos cinco maiores bancos do País, as despesas de segurança e vigilância atingiram R$ 2,6 bilhões em 2011, uma média de 5,2% em comparação com os lucros gigantescos de R$ 50,7 bilhões no período. “A Febraban precisa explicar essa grande diferença entre os números que costuma divulgar e os que aparecem nos balanços porque eles não batem”, avaliou Boaventura.

Controle de explosivos – O diretor de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército, general Waldemar Barroso Magno Neto, defendeu mudanças na legislação de multas e taxas de fiscalização de explosivos, para garantir maior controle em seu manuseio. Magno Neto disse que o Exército está formando novos técnicos para controlar a produção e o transporte de explosivos. Atualmente, 900 pessoas trabalham nesse controle. O representante do Exército informou que 80% dos explosivos utilizados para crimes no Brasil são frutos de produção caseira ou contrabando.