Trabalho Decente é prioridade da CUT

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Hoje, o tema Trabalho Decente é uma questão que a Central Única dos Trabalhadores entende ser uma prioridade na pauta de reivindicação. O Trabalho Decente é uma condição fundamental para a superação da pobreza, a redução das desigualdades sociais, a garantia da governabilidade democrática e o desenvolvimento sustentável. O País está crescendo, está gerando emprego em um ritmo diferenciado em relação ao resto do mundo. Os Estados Unidos, a Europa e a Ásia enfrentam uma crise econômica das mais sérias, com dificuldade na geração de empregos.


Nós temos que aproveitar esse momento de crescimento da economia brasileira para que os empregos que estão sendo gerado dentro das condições necessárias defendidas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela CUT. As condições que defendemos é o reconhecimento profissional do trabalhador. Ele precisa ser bem remunerado. É necessária uma política de recuperação anual das perdas, com a inflação e precisa também (já que o País está crescendo), o trabalhador ter ganho real nos seus salários. Isso é fundamental para

que o trabalhador possa ser respeitado na sua condição.


Lógico que somado a questão da remuneração nós defendemos um local onde não tenha insalubridade, periculosidade, situações que repudiamos. Infelizmente hoje têm vários ambientes em que os profissionais enfrentam periculosidade e insalubridade, risco de vida, entre outros. Precisamos ter o reconhecimento financeiro do ponto de vista do exercício da profissão, ter acompanhamento médico, identificando qualquer problema de saúde para que o trabalhador possa imediatamente ser tratado. A segurança é o que está em jogo.


Outra questão que colocamos em pauta no trabalho decente é o que diz respeito ao ambiente como um todo. Não podemos aceitar nenhum assédio moral, sexual, além da pressão psicológica que é feita muitas vezes aos trabalhadores (as) pela cobrança da produção. É necessário segurança no local de trabalho e um ambiente onde as pessoas possam se relacionar, onde o órgão público ou a empresa possa estar preocupado com a qualidade de vida das pessoas, fazendo com que o rendimento esteja dentro das perspectivas do trabalhador, do gestor e do patrão.


Não podemos aceitar que em pleno século XXI exista trabalho escravo no Brasil. O trabalho escravo é onde o trabalhador não tem a carteira assinada, FGTS, aposentadoria, bem como os benefícios que aos longos dos anos foram conquistados com sangue, suor e lágrimas pelos trabalhadores (as).


Sabemos que existe no País de dimensão continental vários problemas ligados ao trabalho escravo. É importante que o trabalhador denuncie aos sindicatos e a própria CUT. Por sua vez, o momento político nos desafia a disputar projeto de desenvolvimento que queremos para o País.

Sérgio Goiana, presidente da CUT-PE