Transparência: como gastam o seu dinheiro?

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O quesito “transparência” deve ser observado de modo particular entre os candidatos em exercício; ou seja, entre prefeitos e vereadores que nesses últimos anos gerenciaram o dinheiro que você, religiosamente, deposita nos cofres públicos. Se forem candidatos com histórico de mandatos anteriores, pleiteando mais uma reeleição, mantenha atenção redobrada. Acesse os sites das câmaras e prefeituras, caso não disponibilizem os gastos, exija-os dos secretários, prefeitos e vereadores os relatórios referentes ao destino do seu, o meu, o nosso dinheirinho. Esse é um direito seu; e um dever dos gestores públicos.


Costumeiramente, promessas de transparência estão no discurso de todos os partidos e candidatos ao pleito eleitoral.


Historicamente, você tem visto que entre o discurso e a prática há abismo abissal que separa as necessidades dos eleitores das promessas de campanha e pior ainda da prática administrativa. Isso nem sempre é caracterizado pela falta de caráter dos gestores público, mas sim da sensação de permissividade que a máquina pública historicamente oferece. Por outro lado parte desse abismo se dá em função do atual modelo político, em que partidos e candidatos ficam “reféns de financiadores particulares” de campanha.


Uma saída é a Reforma Política; que entre outros quesitos, estabelece o financiamento público de campanha, ou seja, paga com o seu, o meu, o nosso dinheiro. Traduzindo: na prática, os partidos e os candidatos não teriam desculpas para não cumprir o que já é lei: prestar conta somente a nós, e não as empresas e xerifes que se aliam aos candidatos garantindo-lhes para financiamentos de campanhas milionárias. Algo desnecessário se houvesse jogo limpo nas disputas eleitorais.


Porém prefeitos, vereadores, senadores e Presidente da República podem e devem dar o tom quando assumem a função magnífica para qual foram eleitos. Se torram o seu dinheiro com propaganda, diárias de viagens, favorecimento em licitações às empresas financiadoras de suas campanhas e com superfaturamento de toda ordem nos gastos municipais; estão perdendo a oportunidade de fazerem a diferença e portanto devem ser privados de mais um mandato.


É importante ressaltar que o dinheiro mal gasto significa menos saúde, menos casas populares, escolas e programas sociais. E só há uma maneira de reverter essa situação deletéria para a sociedade: o voto consciente, extirpando de vez os políticos “sanguessugas” com a renovação de novos gestores nas prefeituras e câmaras municipais.


Se você votar em políticos que, mandato após mandato, só desfrutam das benesses do cargo, além de não colaborar com sua cidade; não poderá reclamar.


Lembre-se: “voto não tem preço; voto tem conseqüências”.


A imagem das câmaras municipais e prefeituras são retratos do povo, que é quem elege seus representantes. Dite as novas regras nessas eleições.

Maria Newnum

Pedagoga e ex-vice-presidente do Movimento Ecumênico de Maringá (PR)