Um ato de amor e solidariedade

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Em todo o mundo cerca de 50% dos pacientes que precisam de um transplante morrem a espera de um órgão. No Ceará, a cada dia que passa aumenta a fila na Central de Transplantes e as cirurgias realizadas ainda são insuficientes para suprir a necessidade. O Ceará é o campeão do nordeste em transplantes, mas o número de doadores ainda é pouco.

Somente este ano já foram realizados no estado um total de 125 transplantes, no entanto 1.473 pessoas ainda esperam por um órgão. A maior procura é por córneas com 1.163 pessoas, em 2° lugar, o rim com 142 pessoas na fila. A espera por um fígado tem 129 pacientes e 3 pessoas esperam por um coração. Os critérios para escolha do paciente são tempo de espera e urgência. Para conseguir um doador, a Central de Transplantes entra em contato com 27 hospitais de Fortaleza. Já no interior são os hospitais que têm de avisar à Central.

Um dos principais entraves para diminuir essa fila é a desinformação. Muitos acreditam que se doarem os órgãos de seus parentes falecidos, isso vai desfigurá-los. Os doadores vivos, às vezes, não têm conhecimento que diversos órgãos do corpo, como a medula e o fígado, se regeneram rapidamente e que uma pessoa vive normalmente com apenas um rim. Além do mais, se alguém está doente ou ferido e foi admitido no hospital, a prioridade número um é salvar a vida do paciente. A doação de órgãos somente será considerada após morte cerebral confirmada por dois médicos e com consentimento da família. Doar órgãos é doar vida, não só como um ato de solidariedade, mas, principalmente, como um ato de amor.

INCENTIVO – Um projeto de lei que está tramitando na Assembléia Legislativa do Ceará prevê a instituição da meia entrada em locais públicos de cultura, esporte e lazer para doadores de sangue e órgãos do Estado. A medida pode ajudar a salvar vidas e diminuir as despesas do Estado com saúde, reduzindo as internações e a fila para transplantes. Para ter direito aos descontos, os doa-dores deverão ser registrados no Hemoce e nos bancos de sangue dos hospitais do Estado, identificados por documento oficial expedido pela Secretaria de Saúde do Estado.

DERRUBANDO MITOS

Doar órgãos não desfigura o parente morto: os órgãos doados são removidos cirurgicamente, numa operação de rotina, similar a uma cirurgia de vesícula biliar ou remoção de apêndice, que não desfigura a aparência do cadáver que poderá até ter sua urna funeral aberta.

De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), todas as organizações religiosas aprovam a doação de órgãos e tecidos e a consideram um ato de caridade.

Um único doador pode salvar a vida de muitas pessoas, pois a doação inclui coração, rins, pâncreas, pulmões, fígado e intestinos e tecidos como córneas, pele, ossos, válvulas cardíacas e tendões.
Não há necessidade de qualquer documento ou registro, apenas informe sua família sobre sua vontade de ser doador.

Pessoas de todas as idades e históricos médicos podem ser consideradas potenciais doadoras. A condição médica no momento da morte determinará quais órgãos e tecidos poderão ser doados.