Violência, Política e Insegurança Pública…

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Nos aeroportos de Londres e Nova Iorque os passageiros embarcam literalmente sem nenhuma bagagem. No Estado de São Paulo, uma mesma organização criminosa (o PCC) pela terceira vez comanda atos de banditismo generalizado espalhando o medo e o terror no mais rico estado brasileiro. Em Rondônia foram presas as autoridades máximas do Poder Judiciário e do Poder Legislativo, além do chefe do Ministério Público estadual e do Vice-governador – numa espetacular violência à vida dos cidadãos daquele estado.

E o Fantástico do domingo do dia dos pais dedicou bastante de seu tempo ao tema da violência e terror, especialmente pelo fato do seqüestro de um jornalista e um auxiliar empregados daquela emissora.

Em resumo: se explicitam cenas, circunstâncias, fatos que mostram um dilaceramento profundo nas relações sociais em todo País e no mundo. Sem tempo para exaustivas constatações e sem direito a estacionamento no muro das lamentações, somos todos convidados a agir na circunstância em que nos é imposta e não no cenário de nossos sonhos.

A campanha eleitoral segue num clima como se vivêssemos um período de normalidade e não o vivemos. Partidos, sindicatos, igrejas, organizações as mais diversas da sociedade civil precisam se expor e propor e encetar iniciativas que enfrentem os mais diversos tipos de violência e insegurança públicas. E é pela política – em sentido amplo – que as respostas se dão e é quando este caminho não é trilhado que vence a guerra ou a violência mascarada de forma similar.

Nenhuma pessoa de sentimentos pode deixar de solidarizar-se com as famílias dos policiais e civis inocentes assassinados, nem de condenar, da forma mais veemente, a truculência dos bandidos que deflagraram as recentes ondas de violência em dezenas de cidades de São Paulo, principalmente. É justamente nessas horas que se torna imprescindível alertar a população para o risco da exploração política do episódio. No rádio, na televisão, nos jornais e nas revistas, vozes autoritárias reclamam somente mais penas, mais armas, mais limites às liberdades dos cidadãos…

A violência – em última instância – é a explosão de um processo cumulativo, cujo combustível é a extrema desigualdade social do País. Enquanto esse problema não for atacado séria, profunda e demoradamente pela sociedade brasileira, será impossível livrar o nosso quotidiano da violência…

Providências imediatas podem coibir o surto de violência – e isto deve ser feito sem delongas : reestruturação completa do aparelho repressivo do Estado, impedimento do contato entre presos de diferentes graus de periculosidade …

No plano mundial, a recuperação da ONU como efetiva e capaz mediadora de conflitos entre países é condição de uma política internacionalista lastreada nos fundamentos da construção da paz.

O que a cidadania não pode é deixar-se levar pela insolência e pela agressividade dos que advogam a barbárie e abdicam dos princípios do direito. O que pode derrotar a barbárie é mais civilização – não a truculência. Por fim, é extremamente positiva a iniciativa do Presidente Lula promulgando a Lei Maria da Penha que inibe a violência doméstica trazendo mais rigor para os homens que violentam as mulheres.