VOTO

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Força poderosa da manifestação cidadã, mas que vem sendo arrefecida a cada pleito eleitoral, ante a artimanha e sedução dos candidatos, ficando assim, maculada toda a essência do ato de escolha.


Tudo isso é devido a duas vertentes. A primeira, fruto da banalização do voto, pela sua compra. A segunda, pelo embevecimento oriundo de promessas mirabolantes que, no geral, não serão cumpridas.


Há outra razão para que isso ocorra. É o “voto obrigatório” que, afinal, deixa a sensação de regime ditatorial, demais porque o não votar implica a perda de outros direitos e deveres do cidadão.


O voto obrigatório é, em parte, indutor da máfia corruptiva, que está ligada aos gastos com sua compra, utilizando-se recursos de doadores privados que, no final, querem vantagens as mais diversas de forma a ter o dinheiro de volta.


Não pode ser esquecido que o nosso sistema de reeleição produz e alimenta também a corrupção, principalmente porque o eleito procura perpetuar-se no poder, seja pessoalmente ou não. Assim, e para cortar o mal pela raiz, deve ser regulamentado que a pessoa reeleita terá de cumprir quarentena para voltar a ocupar cargo político eletivo.


Segundo turno não devia existir, ainda mais porque não é geral e sim relacionado com o contingente populacional na cidade. Vejamos: o candidato A supera o B com, por exemplo, mil votos no primeiro embate e, por não ter sido atingido um tal de “quórum”, vai para o segundo, onde é vitorioso por apenas dez, podendo ser, inclusive, derrotado. Isso é racional?


Além do mais, o segundo turno causa mais gasto público (dinheiro do povo), poluição sonora e visual. É um desrespeito à primeira vontade popular, despersonaliza o eleitor e o deixa mais ainda sujeito ao assédio dos irresponsáveis compradores de voto.


Quanto aos candidatos, deveria ser exigida formação escolar compatível com o cargo a ser exercido, bem assim a comprovação formal de isenção da prática de quaisquer delitos nas áreas civil e criminal.


Waldir Farias Freitas

Escritor e bancário aposentado do BNB