5º Conferência da Uni Américas discute conjuntura política das Américas

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A Conferência iniciou dia 29 de junho, pontualmente às 16, no salão de eventos do Hotel Oásis, em Fortaleza-Ceará

José Guimarães, vice-presidente nacional do PT, foi o primeiro a falar enfatizando o processo de retrocessos que o Brasil vive neste momento com o Governo Bolsonaro. “Precisamos barrar o fascismo e eleger um novo governo, construindo frentes que tenham compromisso com a democracia. O Brasil está desmoralizado perante o mundo. A morte do Dom e Bruno escancara este governo de violências. O Estado brasileiro deixou de ser um Estado protetor e passou a ser daqueles que agridem direitos. Este governo não patrocina a defesa da vida”, defende Guimarães.

A segunda fala da noite foi de Yolanda Días, Ministra da Espanha. A líder defendeu que é preciso proteger o direito de viver uma vida plena. “Sabemos que o mundo do trabalho está relacionado à luta climática”, conta. “O futuro da luta dos trabalhadores é feminista, com tempo de trabalho sustentável, o futuro precisa ser livre de angústia. É preciso quebrar o ciclo da precarização, falar de saúde mental. O futuro do trabalhador é democrático e participativo. Os sindicatos são a vacina contra o autoritarismo e a desigualdade. Nossa democracia precisa de sindicatos de vanguarda, capazes de falar do presente e do futuro. O sindicalismo deve falar do futuro. Nossa tarefa agora é governar e governar com uma dupla tarefa: transformar o hoje e transformar o amanha”, analisou Días.

A presidenta da Convenção Constitucional do Chile, Maria Elisa Quinteros, explanou sobre o processo de aprovação da nova constituinte que vive seu país, explicando toda a complexidade do processo de aprovação que ainda está em curso: “Vivemos um processo de constituinte muito intenso, mas apesar das barreiras, conseguimos chegar à frente no processo democratico”. Ela explicou: “Com a nova constituição, passamos a ter direito de greve e cada sindicato pode construir seus próprios objetivos. Também recuperamos a democracia econômica, todas estas normas que temos foram parte da comunidade, um trabalho colaborativo de participação direta. Quero destacar alguns sindicalistas da Uni Américas que tem trabalhado pelos direitos trabalhistas, trabalhamos lado a lado com os dirigentes sindicais da Uni”, disse Quinteros.

Luiza Alcalda, secretária do trabalho do México, também fez uma análise de conjuntura latinoamericana. “Desde o início deste século chegou ao nosso continente uma onda de governos que conseguiram tirar milhões de latinos da pobreza. Que melhor momento para o nosso país! Para chegar depois em outros países que vão ser governados por forças progressistas. Estamos vivendo momentos extraordinários na América Latina!”, destaca. Alcalda indica que é “tarefa do movimento sindical se democratizar, acabar com a lógica da imposição a partir dos governos e das empresas, não podem depender de uma reforma legal, e cultural! Depois disso, temos que reconstruir uma relação com os governos para retratar as decisões da vida pública, para que possamos nos envolver nas decisões do presente e do futuro. O sindicalismo tem que ser inovador!”, defendeu Luiza.

A fala do presidente da Argentina, Alberto Fernández, foi o ponto alto do evento. Sua presença foi bastante aclamada pelo plenário. O presidente fez uma análise dos estragos causados pela pandemia de Covid-19. “As primeiras potências do mundo se levantaram em segundos e vimos o tamanho dessa desigualdade. Acreditamos num estado presente para equilibrar as desigualdades. A Pandemia mostrou que precisamos de um Estado presente e que iguala as oportunidades”, apontou Fernández.

“Precisamos construir sociedades mais igualitárias, isso quer dizer dar educação e saúde para todos. Isso é construir uma nova ordem mundial! Chegou a hora de elevar a nossa voz, de dizer chega e construir uma sociedade justa, de progresso social, de igualdade, de crescimento de trabalho”, disse o presidente argentino. “A pobreza é um grande problema; a América Latina é o continente mais desigual do mundo, onde há a maior distância entre ricos e pobres. Na realidade, o problema não é a pobreza em sí, mas sim o modelo econômico que gera a pobreza e esse modelo econômico. Esse desafio não espera mais, está nas nossas mãos a mudança das coisas. A América Latina está pouco a pouco recuperando essa logica”, defendeu o presidente.

Christy Hoffman, secretária geral da Uni Global Union, estava presencialmente no evento e falou sobre a onda progressista que tem invadido as Américas e tem trazido muita esperança. Ela destacou: “Temos que militar pelos novos modelos econômicos, para redistribuir as riquezas e chegar a uma nova ordem global. Os trabalhadores não podem ficar com o fardo tributário, principalmente depois da Covid-19. Há uma lista extensa de reivindicações, os governos precisam promover os acordos coletivos! Os governos devem encorajar os acordos coletivos como um bem social, podem utilizar seu poder para ajudar isso”, analisa Christy.

“Precisamos ter sindicatos mais fortes, precisamos ajudar nossos aliados políticos, manter nosso foco para manter nossos trabalhadores sindicalizados. Precisamos alavancar os direitos e levantar as narrativas a favor dos sindicatos, precisamos ajudar a eleger políticos progressistas. A democracia não existe sem os sindicatos!”, finalizou a secretária Hoffman.

Bloco Sindical
Após uma apresentação musical da banda “Francisco, El Hombre”, a plenária voltou a discutir sobre o tema do encontro. A banda é formada por irmãos mexicanos naturalizados brasileiros e brasileiros de nascença. Sua música mistura elementos da américa latina e seu repertório traz canções com críticas sociais.

O primeiro a falar neste segundo bloco de falas foi Miguel Torres, presidente da Força Sindical, do Brasil. O presidente destacou que algumas violências devem ser acabadas, como o caso do assédio moral e sexual. “Estamos vivendo momentos complexos. Todos nós temos que buscar a construção do emprego do futuro mas, principalmente, o sindicato do futuro. Aquele que consegue despertar nos jovens a ideia de estar incluídos. Precisamos ter nossa capacidade de mostrar nossa indignação”, indica Torres.

Ricardo Patah, presidente da UGT Brasil, agradeceu a solidariedade internacional quando o ex-presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve preso: “Agradeço demais ao sindicalismo que criou comitês de Lula Livre pelo mundo. Essa solidariedade internacional é muito importante para nós do Brasil”. Patah destacou ainda: “Não há democracia no mundo sem sindicato. Pra nós, não existe emprego sem direitos!”, finalizou Patah.

Cícero Pereira da Silva, da CSA, destacou toda a importância do sindicalismo sociopolítico. Para ele, “o sindicato precisa estar de portas abertas para os trabalhadores. Os sindicalistas têm que ter lado”, concluiu.

A vice-presidenta executiva da SEIU, Rocí Sáenz, fez uma fala enérgica que animou a plenária chamando para todos repetirem: “Quando lutamos, ganhamos!”. “Sabemos que depois de tanto sofrimento e tanta dor, da perda de companheiros, sabemos que a Pandemia nos obrigou a enfrentar trabalhadores mal pagos, mas também sei que esta Pandemia destacou a desigualdade que já estava diante dos trabalhadores. A luta que estamos levando adiante é muito simples: queremos justiça racial e econômica, igualdade de direitos. Queremos que todos os trabalhadores possam ter direito a ter um sindicato em todas as partes do mundo. Temos que garantir juntos que todo trabalhador possa ser respeitado, protegido, pago como os trabalhadores essenciais que já são. Queremos assegurar que a democracia possa ser protegida. Tudo isso que temos conseguido na política foi porque conseguimos escolher líderes com esta agenda, mas sabemos que ainda tem muita coisa a fazer”, analisa Rocí.

Juvandia Moreira, presidenta da Contraf CUT, destacou o retrocesso em que o Brasil passa, alertando que este golpe faz parte de um projeto neoliberal do atual governo contra o sindicalismo. “Os bancos foram atacados pelo governo, limitaram os investimentos, colocaram o teto de gastos. Mas nós queremos avançar em uma reforma sindical para fortalecer os trabalhadores e trabalhadoras, somos resistência contra um governo fascista, homofóbico, misógino. A gente quer estar no movimento sindical para fazer a diferença!”, avalia Moreira.

Héctor Daer, presidente de Uni Américas, encerrou as falas da noite destacando o trabalho da Uni Américas e afirmou que é preciso “aprofundar os direitos sindicais, a liberdade sindical, precisamos de mais sindicatos, isso é o trabalho da UNI Américas. O realinhamento na América Latina para fortalecer as organizações dos trabalhadores, poder debater e decidir a nova ordem mundial para os trabalhadores e trabalhadoras, para um mundo mais justo. Essa é uma realidade, para decidir sobre os temas globais, essa é uma jornada de experiência que temos que compartilhar”, analisou Héctor.

O primeiro dia de conferência encerrou com mais músicas da banda “Francisco, el hombre” e um coquetel para os participantes.

Confira imagens: 

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