A luta contra o racismo tem de ser todos os dias!

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O dia 20 de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. A data faz memória à Zumbi, líder do Quilombo de Palmares, morto neste dia, no ano de 1695 e é um momento para se ressaltar a importância da cultura e do povo negro na formação da cultura nacional. Zumbi morreu em combate, defendendo seu povo. Por isso, consideramos ele e sua luta como símbolo da consciência negra. Da consciência que o povo negro precisa lutar contra o racismo, contra o preconceito para conseguir usufruir dos seus direitos.

Infelizmente, o Dia Nacional de Consciência Negra deste ano foi marcado por um episódio absurdo. Na véspera, dia 19/11, um homem negro foi morto dentro de uma unidade do supermercado Carrefour, em Porto Alegre. Ele foi espancado até a morte por dois homens brancos, um deles policial, que faziam a segurança do local. A cena bárbara foi filmada pelas pessoas que gritavam, em vão, para que os dois seguranças não matassem o homem. As hashtags #VidasNegrasImportam e #CadaDiaUmGeorgeFloydNoBrasil tomaram as redes sociais em protesto.

O mais revoltante é que esse não é um fato isolado. A população negra é alvo constante da violência. Dados do Atlas da Violência 2020 apontam que a forte concentração dos índices de violência letal na população negra é uma das principais expressões das desigualdades raciais existentes no Brasil. Produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o estudo mostra que os jovens negros são as principais vítimas de homicídios no país e que as taxas de mortes de negros apresentam crescimento acentuado ao longo dos anos. Entre 2008 e 2018, as taxas de homicídio apresentaram um aumento de 11,5% para os negros, enquanto para os não negros houve uma diminuição de 12,9%. Trata-se de um verdadeiro genocídio contra o povo negro.

Mas, não podemos deixar de lembrar que o racismo no Brasil é estrutural, está presente em toda a nossa estrutura social. E, assim como ocorre no quesito violência, quando falamos sobre mercado de trabalho o negro também sofre discriminação. Basta olhar para o lado e se perguntar: quantos negros trabalham aqui comigo? Aos negros e negras são destinados os cargos de menor importância e salários e são ceifadas todas as possibilidades de ascensão profissional.

Em 2019, o salário médio de trabalhadores negros foi 45% menor do que do que o dos brancos, de acordo com a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE. E não importa o grau de escolaridade, mesmo negros com curso superior ganham menos que os brancos. De acordo com uma pesquisa do Instituto Locomotiva, o salário médio de homens não negros com ensino superior em 2019 ficou em R$ 7.033,00, enquanto o dos negros ficou em R$ 4.834,00, uma diferença de 31% a menos.

Diante de tudo isso, enfrentar o racismo não pode ser uma luta somente da população negra. Tem que ser uma luta de todos, pois só assim vamos mudar a sociedade. E para isso, temos que mudar as estruturas, alterar a ideia sobre racismo e só assim construiremos uma sociedade igualitária, em que todos sejam respeitados sem que levem em consideração a cor da pele. Estamos nessa luta com você.

Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

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