Bancos seguem campeões de lucro e demissões durante a pandemia

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

Pandemia, lockdown, desemprego galopante, falência de empresas, perda de renda generalizada, fome. Essa é a realidade de praticamente todos os setores da nossa economia na atualidade. Quase todos. Porque o setor financeiro continua com lucros astronômicos. Para os bancos não existe crise. Na última semana, os três principais bancos privados divulgaram seus resultados do primeiro trimestre: juntos, Bradesco, Itaú e Santander lucraram R$ 16,9 bilhões, ou 46,9% mais do que no mesmo período de 2020. E R$ 300 milhões acima da soma dos lucros registrados no primeiro trimestre de 2019.

O primeiro colocado foi o Bradesco (R$ 6,5 bilhões, alta de 73,6%), seguido pelo Itaú (R$ 6,4 bilhões, alta de 63,5%). Embora a menor alta (4,8%) tenha sido do Santander, o lucro de R$ 4 bilhões, é o maior do banco para o primeiro trimestre desde 2010 e representou 21% do lucro recorrente global da corporação.

Menos de uma semana após a OMS decretar a pandemia, o Banco Central iniciou um amplo programa de liberação de R$ 1,274 trilhão em recolhimentos compulsórios sobre depósitos à vista, a prazo e de poupança, outros R$ 1,348 trilhão em alívio de capital para encaixes e ainda a redução de provisões no total de R$ 3,2 trilhões para renegociação de dívidas. Mas apesar da enxurrada de R$ 5,922 trilhões, o sistema financeiro só transformou em empréstimos 23,7% (R$ 1,306 trilhão). Na prática, os bancos usaram a redução dos compulsórios e a liberação das provisões precaucionais para melhorar a liquidez interna. E não transferiram para a sociedade na velocidade e volumes esperados as linhas de liquidez abertas pelo BC.

Para completar o ciclo, os bancos também recorreram à velha e cruel “redução de custos”, que, na prática, representa o fechamento de agências e demissões em massa. Entre março de 2020 e março deste ano, o Bradesco fechou 1.088 agências, o Itaú, 115, e o Santander, 140 agências e 91 Postos de Atendimento Bancário (PABs). Já no primeiro trimestre deste ano, os bancos encerraram as atividades de 399 agências e tiraram 726 caixas eletrônicos de operação. No mesmo período, foram demitidos 2,9 mil funcionários, com destaque para escriturários e gerentes.

Dados do Banco Central mostram que, de dezembro de 2016 para cá, as instituições financeiras já fecharam as portas de mais de 4.000 agências, o equivalente a quase 20% do total que possuíam há cinco anos. Os bancos também extinguiram 13,2 mil empregos entre março de 2020 e fevereiro de 2021, segundo o Caged. Considerando o saldo de demissões e contratações, houve uma redução de 8.625 postos de trabalho bancário apenas nesses três grandes bancos.

Isso mostra que os bancos, apesar de terem se comprometido com o movimento sindical logo no início da pandemia, em 2020, a não demitir, descumpriram o acordo e desligaram milhares de pais e mães de família, em plena crise sanitária e econômica.

Mas continuamos na luta. Estamos no Comando Nacional dos Bancários cobrando a suspensão dos processos de demissão, o fim das metas durante a pandemia, fiscalizando as condições de trabalho e cobrando um protocolo mínimo nacional para prevenir contaminações e cobrando, principalmente, a inclusão da nossa categoria no Plano Nacional de Imunização, já que somos considerados serviço essencial. Essencial é a saúde da nossa categoria. Estamos #NaLutaComVocê!

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