Desafios para os trabalhadores no segundo semestre

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

Um cenário de desemprego, informalidade, volta da fome e inflação são os pesadelos da população brasileira nesse segundo semestre de 2020 e cada dia fica mais claro que um novo caminho não virá com o governo Bolsonaro.

O movimento sindical bancário acredita que não há perspectiva de crescimento neste governo porque Bolsonaro simplesmente não governa. A situação caótica que estamos enfrentando, agravada ainda mais pela má gestão da pandemia, não vai mudar sozinha.

O governo não tem um projeto para a pandemia, nem para o pós-pandemia, nem um programa de desenvolvimento do país, com geração de emprego e renda, e o presidente se preocupa apenas em propagar fake News, ameaças golpistas e proteger a ele e sua família nos processos em que são citados.

Bolsonaro dizia que teríamos de escolher entre a vida e a economia, quando estava claro que salvando as pessoas, estaríamos salvando a economia. Diante de toda essa inércia e incompetência, o cenário é cada vez mais desanimador. Com o Produto Interno Bruto (PIB) estagnado, fuga de investimento, queda nas vendas no varejo e da renda da população, a crise está escancarada.

O PIB sofreu em 2020 a maior queda dos últimos anos: uma redução de 4,1% em relação a 2019, de acordo com dados do Banco Central. No primeiro semestre deste ano, o PIB cresceu apenas 1,2% e revela uma economia estagnada. Em contrapartida, a inflação vem subindo assustadoramente. Por exemplo, segundo o Dieese, em Fortaleza, no mês de julho, o valor da cesta básica sofreu uma alta de 3,92%, ficando em R$ 562,82 (55,31% do salário mínimo). Assim, o fortalezense tem de trabalhar 112h34min no mês para adquirir uma cesta básica.

O quadro crítico se escancara quando se trata de emprego. A crise econômica que se acentuou com a pandemia teve como saldo a redução de 10 milhões de postos de trabalho no final de 2020. Nos três primeiros meses de 2021 já eram 14,8 milhões de pessoas desempregadas. Já o número de trabalhadores sem carteira assinada vinha aumentando gradualmente nos governos Temer e Bolsonaro. Ao final de 2019 atingia o maior contingente, de 11,8 milhões de trabalhadores informais. Em 2020, no entanto, vem a queda abrupta e o índice dos informais empregados despenca para 8,7 milhões.

A gravidade aumenta quando é feita a combinação de desemprego, estagnação econômica e inflação, outro fantasma que aterroriza a população e os trabalhadores. Nos sete primeiros meses de 2021, a inflação dobrou. Em janeiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) era de 5,53%. Em julho, passou para 9,85%. Os dados são do IBGE e do Banco Central, elaborados pelo Dieese. Para agosto, a estimativa é que o INPC passe para 9,96%. Com isso, cada dia mais aumenta o número de pessoas que estão voltando para a linha da miséria, que não tem condições de comprar alimentos e que se submetem a entrar em filas de distribuição de ossos para ter o que comer.

Nos dias 3 e 4 de setembro vamos realizar a Conferência Nacional dos Bancários. Esse ano não haverá campanha salarial, pois, acertadamente, mais uma vez, fechamos um acordo bianual e seremos uma das poucas categorias com aumento acima da inflação. Entretanto, temos o desafio de nos organizarmos nesse cenário tão difícil.  Um desses desafios é nos posicionarmos e traçarmos estratégias de luta contra esse governo não apenas inapto e incompetente, mas pior, cruel e desumano. Esse governo nos exclui e nos ameaça a cada dia e precisamos nos manifestar contra ele, defendermos a democracia – pois sem ela, não há direitos – se quisermos reconstruir o Brasil que queremos. #EstamosNessaLutaComVocê.

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