Drama do desemprego atinge cada vez mais brasileiros

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

Nunca houve tantos brasileiros em busca de emprego no país. É o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada na última semana pelo IBGE.

De acordo com a pesquisa, cerca de 15 milhões de pessoas buscam trabalho na atualidade. A taxa recorde de desemprego de 14,7% já havia sido alcançada no primeiro trimestre de 2021. Os números indicam que o desemprego está longe de recuar. No primeiro trimestre de 2020, a taxa de desemprego era de 12,6%. Outro fator que agrava a situação da população é o crescimento da inflação. Nos últimos 12 meses, a inflação atingiu 35,75% pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M).

Entre os trimestres de novembro de 2020 a janeiro de 2021 e fevereiro a abril de 2021, mais de 489 mil pessoas foram desligadas de seus postos de trabalho – aumento de 3,4%. A taxa de informalidade foi de 39,8% da população ocupada, o que representa 34,2 milhões de trabalhadores informais, fazendo bicos para sobreviver e levar o pão de cada dia para suas casas. No trimestre anterior, essa taxa havia sido 39,7% e no mesmo trimestre de 2020, 38,8%.

A taxa de desalentados (5,6%), pessoas que desistiram de procurar emprego depois de muito tentar, se estabilizou e atingiu 6 milhões de trabalhadores no trimestre encerrado em abril, mas cresceu 18,7% ante o mesmo período de 2020.

O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado foi de 29,6 milhões de pessoas, com estabilidade frente ao trimestre anterior e queda de 8,1% (menos 2,6 milhões de pessoas) frente ao mesmo período de 2020. Já os empregados sem carteira assinada (9,8 milhões de pessoas) apresentou estabilidade. O número de trabalhadores por conta própria (24 milhões) subiu 2,3% frente ao trimestre móvel anterior (mais 537 mil pessoas) e 2,8% (mais 661 mil pessoas) na comparação anual. Ou seja, o brasileiro está se virando como pode.

Na categoria bancária, o alerta permanece, para impedir novas demissões. Durante os primeiros meses da pandemia, conseguimos, através de árduas negociações, que os principais bancos privados do país assumissem o compromisso de não demitir durante a pandemia. Entretanto, mesmo sem que a pandemia tenha terminado, de março de 2020 a fevereiro de 2021 foram fechados 13 mil postos de trabalho. Como contraponto, temos buscado negociar a suspensão das demissões e, para pressionar os bancos, estamos lançando campanhas de valorização dos funcionários e em defesa do emprego nos bancos privados, com atuação, sobretudo, nas redes sociais.

Vivemos uma situação crítica e nada indica que vá melhorar. O desempenho negativo do governo Bolsonaro nos mostra isso. Um governo totalmente inerte que não tem um plano de geração de emprego e renda nem de recuperação da economia para o pós-pandemia. Estamos também atentos para defender o emprego na categoria bancária. O momento é de unidade e mobilização contra esse governo desumano e genocida. #EstamosNaLutaComVocê.

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