É preciso atentar para as sequelas da Covid-19

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

O Brasil registra, oficialmente, mais de 600 mil mortos por Covid-19. Entretanto, além das centenas de milhares de famílias que choram seus mortos, milhões apresentam sequelas da Covid. Desde o início da pandemia, em março de 2020, mais de 21,6 milhões foram infectados pelo novo coronavírus, e mais da metade desses casos podem sofrer com efeitos da doença por até seis meses após a cura, segundo estudo divulgado pelo portal científico Jama Network Open. As proporções de pessoas com pelo menos uma sequela observada foram: 54% em um mês; 55% entre dois a cinco meses; 54% em seis ou mais meses.

O estudo aponta ainda que as desordens mais frequentes são anomalias em exames de imagem do tórax (pulmões); distúrbios de saúde mental, como dificuldade de concentração e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG); e distúrbios de mobilidade funcional, como fadiga, perda acentuada de peso ou fraqueza muscular. Também foram observadas sequelas graves como distúrbios cardíacos, dermatológicos, de garganta, perda de massa cinzenta no cérebro, entre outros.

Esse cenário já se apresenta na categoria bancária. Durante a 23ª Conferência Nacional dos Bancários, foi feita a apresentação do resultado parcial da pesquisa feita em parceria com a Universidade de Campinas (Unicamp) sobre as sequelas da Covid-19 na categoria bancária.

A pesquisa mapeou a saúde do trabalhador bancário já acometidos pela doença afim de subsidiar o Comando Nacional dos Bancários nas negociações com os bancos e garantir a devida proteção à saúde dos trabalhadores.

Um dado que preocupa é quando 31,2% dos bancários que responderam afirmam que o banco não lhe proveu assistência durante a infecção e 41,8% afirmaram que os bancos não disponibilizaram testes para Covid. Os resultados preliminares da pesquisa mostram ainda dados sobre alterações neurológicas em bancários após a infecção por Covid e que os sobreviventes persistem com diversas queixas, como fadiga, ansiedade, dificuldades cognitivas. Além disso, aproximadamente 30% referem-se estar com capacidade de trabalho diminuída após a infecção. Esse estudo é de extrema importância para uma caracterização detalhada das limitações e possíveis sequelas secundárias a infecção. Somente com estudos científicos será possível convencer governantes sobre a magnitude dessas limitações. Temos recebido também muitos relatos de colegas bancários que estão sofrendo com as sequelas da Covid-19, alguns trabalhando sem as devidas condições. A pesquisa, cujos dados preliminares já mostram que essa preocupação é real, vai nos ajudar a buscar garantir a esses colegas uma atenção especial.

Durante negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, realizada dia 1º/10, nós cobramos muita atenção quanto à volta do trabalho presencial e enfatizamos a necessidade de se elaborar um protocolo mínimo nacional, com o objetivo de preservar a vida de bancários, clientes e usuários. A reunião decidiu também retomar os encontros regulares da Mesa Permanente de Saúde e marcou para o próximo dia 25/10 novo encontro para tratar de outros pontos que envolvam a saúde dos bancários, como metas abusivas, sequelas da Covid-19 e atenção ao adoecido. Na ocasião, serão apresentados os resultados finais da pesquisa feita na categoria sobre as sequelas nos contagiados pela pandemia.

Vamos seguir atuando para garantir os direitos trabalhistas e previdenciários, e cobrar dos bancos acompanhamento dos casos, com garantia de tratamento adequado e acompanhamento médico através do Programa de Controle médico e saúde ocupacional (PCMSO), entre outras medidas. #VidaÉLuta!

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