Jornal O Povo aborda síndrome de Burnout e destaca situação da categoria bancária

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A edição do jornal O Povo deste domingo, 3/12, em sua reportagem de capa, trouxe uma reportagem especial sobre a inclusão da síndrome de Burnout como doença do trabalho no Brasil pelo Ministério da Saúde, após a explosão de afastamentos pela doença no país.

“Cobranças por metas e resultados fazem parte do dia a dia laboral de quase todos os brasileiros no mercado de trabalho. Mas, em meio à explosão de afastamentos, finalmente o Brasil se movimenta e inclui a síndrome de Burnout como uma doença do trabalho. Daí fica o questionamento: Quando a cobrança deixa de ser saudável e como os trabalhadores e líderes podem reagir?”, pergunta a reportagem. Segundo a apuração do jornal, as doenças mentais são a terceira maior causa de afastamentos por condições não acidentárias no País, com 13% dos casos.

Em meio aos dados e os debates sobre a doença, o secretário de Saúde do Sindicato, Eugênio Silva, fala da situação preocupante da categoria bancária e sobre a rede de apoio disponível para os bancários. Confira:

“Bancário com antidepressivos na gaveta” é comum

A realidade dos trabalhadores do setor financeiro no Ceará demonstra o quão danoso pode ser trabalhar sob alta pressão ao ponto de afetar a saúde mental. Segundo o secretário de Saúde do Sindicato dos Bancários do Ceará (SEEB/CE), Eugênio Silva, é comum flagrar colaboradores em condições adversas.

De acordo com levantamento feito pelo sindicato, o Ceará tem aproximadamente 10 mil bancários. Entre 20% e 30% desses profissionais convivem com problemas psicológicos. “As doenças que mais impactam os bancários são a depressão, ansiedade, síndrome do pânico e Burnout. Essa é a pior, pois junta o cansaço físico e mental”, conta.

Eugênio ainda complementa com relatos que escutou em visitas às agências: “Tem bancário que não consegue ver a logomarca do banco no comercial de TV em casa que já fica ansioso. Outros quando chega o domingo à noite já se sentem mal por estar chegando a segunda-feira de trabalho”. Ainda segundo Eugênio, apesar do alto grau de afastamentos, ainda há muitos bancários que continuam a trabalhar, mesmo doentes, por medo de entrarem numa lista de dispensa. “É comum chegar nas agências e presenciar bancários com atestado (de doença psicológica) na gaveta. Também presenciei bancários mantendo uma farmácia de remédios tarja preta na gaveta”, afirma.

Ainda segundo o secretário de Saúde, a falta de pessoal nas agências gera sobrecarga porque as metas só se tornam mais inalcançáveis. “Para você ter ideia, esse método abusivo gera tanta cobrança que ouvimos relatos de bancários que choravam no banheiro e depois voltavam ao atendimento ao público”, relata.

Conforme dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), apesar de ser caracterizado como ocupação com grau de risco nível 1, ou seja, por (teoricamente) apresentar baixíssimo risco à saúde do trabalhador, o setor bancário é o oitavo com o maior número de afastamentos acidentários pelo Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS). Para tentar remediar a situação, o sindicato criou um “contato de emergência” para o bancário que precisar de apoio psicológico. Também foi lançado o Grupo de Apoio à Saúde dos Bancários (Gasp) que realiza reuniões semanais conduzidas por uma profissional de Psicologia e pela Secretaria de Saúde do Sindicato.

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Leia também: Saúde mental no trabalho: Como acabar com o Burnout no Brasil

Os interessados em participar do GASB, Grupo de Apoio à Saúde dos Bancários, devem entrar em contato pelo 85 99177 5138, das 9h às 15h, e do Plantão Psicológico (agendamentos:  85 99155 2428. Atendimento gratuito).

Fonte: SEEB/CE com reprodução de conteúdo do jornal O Povo, edição de 03 de dezembro de 2023

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