O Governo Bolsonaro e o empobrecimento do brasileiro

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

A proposta do governo Bolsonaro para o salário mínimo dos próximos três anos acaba de vez com a política de valorização do piso nacional, construída no início da década passada após mobilização das centrais sindicais, em uma série de marchas para Brasília. Este ano, o piso nacional já ficou abaixo da inflação, com reajuste de 5,26%, para R$ 1.100,00, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior foi de 5,45%.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aprovada pelo Congresso Nacional, estabelece o valor de R$ 1.147,00 para o salário mínimo para 2022. O reajuste de 4,3% sobre o valor atual é mais de duas vezes menor do que o INPC acumulado em 12 meses, que está em 9,22%. Já para 2023, foi estabelecido valor de R$ 1.188,00, o que representa correção de 3,6%. Por fim, para o ano seguinte, o salário mínimo passaria a valer R$ 1.229,00, aumento de 3,4%.

É importante lembrar que, em 2003, primeiro ano do governo Lula, o piso nacional teve reajuste de 20%, enquanto a inflação foi de 18,54%. Essa política continuou nos anos seguintes com leis que fixaram a regra de correção, que previa aumento pelo INPC do ano anterior mais ganho real correspondente à variação do PIB de dois anos antes. Assim, em todo esse período, até 2021, o salário mínimo teve correção acumulada de 450%, para um INPC de 208%, resultando em aumento real de aproximadamente 78,5%.

A pesquisa do Dieese que acompanha a relação entre salário mínimo e cesta básica mostra perda do poder de compra. De 2009 a 2019, com exceção de apenas um ano, o piso comprava o equivalente a pouco mais de duas cestas básicas. Em janeiro, essa proporção caiu para 1,6.

Além disso, a disparada dos preços, com a inflação chegando a 8,35%, o arrocho salarial e o desemprego que atinge quase 15 milhões de pessoas, derrubaram em 5% o consumo de carne bovina no Brasil em 2020, para 36 kg por pessoa/ano. É a maior queda desde 2008 e o 4º ano seguido de redução de consumo, segundo dados compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Em busca de proteínas mais baratas, que caibam no bolso do trabalhador, os brasileiros estão trocando a carne bovina por ovos e frango, que também subiram de preço. E alguns chegaram a ficar horas debaixo de sol, em uma fila imensa, para pegar ossos que um açougue de Cuiabá (MT) iria jogar no lixo.

Para completar, o fantasma do desemprego está cada dia mais presentes e o jeito é se virar como pode. Estima-se que cerca de 40 milhões de trabalhadores atuam na informalidade, sem carteira assinada ou nenhum tipo de proteção social. A informalidade vai se firmando como regra a partir da perspectiva do Estado. Simplesmente, não há política de emprego e renda nesse governo. Ao invés de se preocupar com esse cenário, o governo tenta incutir no trabalhador a falácia de que somos todos “empreendedores”, criando uma legião à margem das proteções trabalhistas.

Isso sem falar na gestão desastrosa do governo Bolsonaro diante da pandemia. Não podemos nos esquecer, nem por um minuto, que o Brasil ultrapassou meio milhão de mortes por Covid-19 e que isso é um genocídio, diante da forma irresponsável, negacionista e mentirosa como Bolsonaro vem conduzindo o país nesta pandemia, com o resultado desastroso criticado pelo mundo inteiro. Além das denúncias de irregularidades na compra de vacina.

A classe trabalhadora tem de se levantar e mostrar ao país e ao mundo que Bolsonaro tem que sair para o Brasil recuperar o caminho do desenvolvimento, de justiça social e da democracia. #EstamosNaLutaComVocê!

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