ARTIGO: fortalecer as empresas públicas para o País sair da crise

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

Os governos do golpista Michel Temer e de Bolsonaro se pautaram pelo discurso de que só o que é privado é bom, que os servidores são “vagabundos” (segundo afirmou o atual ministro da Economia, Paulo Guedes), e que as empresas públicas são deficitárias e devem ser vendidas, privatizadas.

Esse cenário era bem diferente durante os governos dos ex-presidentes Lula e Dilma, que investiram nas estatais e valorizaram o servidor público, utilizando essas empresas para fomentar o desenvolvimento nacional. Hoje, no governo Bolsonaro, utiliza-se uma postura contrária, com o intuito de propiciar um ambiente favorável junto à opinião pública para a venda dessas empresas.

Ao não investir nas empresas nem no serviço público, sucateando essas instituições fundamentais, o atendimento fica precário, e influenciadas pelo discurso de Bolsonaro/Guedes as pessoas acabam concluindo que o serviço público não presta e que é melhor mesmo ser vendido. Essa foi a tática usada durante o governo Fernando Henrique Cardoso para promover sua onda de privatizações: telefonia e Vale do Rio Doce são exemplos de empresas vendidas, cujo serviço ficou pior e mais caro, sem falar nas recentes tragédias humanas e ambientais causadas pela Vale em Mariana e Brumadinho.

Para desmitificar o discurso neoliberal da privatização, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), fez um estudo minucioso sobre as estatais, as empresas de economia mista e o conceito do que é público. Intitulado “uma visão panorâmica das empresas estatais federais e possibilidades de atuação no pós-pandemia’, os técnicos do Dieese falam como, neste momento de aguda crise sanitária e socioeconômica em escala global, as estatais podem, também, fazer parte de um esforço de recuperação e desenvolvimento nacional.

Segundo o estudo, diversos Estados nacionais vêm lançando pacotes bilionários de incentivo e apoio ao setor privado, e as estatais brasileiras podem – e devem – participar deste processo. A título de exemplo, tal contribuição pode se dar por meio da ampliação dos investimentos, induzindo, em consequência, investimentos privados; por meio da expansão do crédito pelos bancos públicos ao capital de giro e à ampliação da capacidade instalada; e, no caso das grandes empresas Petrobras e Eletrobras, por meio da liderança no país do processo de transição energética, já iniciado nos países desenvolvidos.

O estudo do Dieese afirma ainda que sem empresa pública a economia patina. É o caso do crédito bancário ofertado pelos bancos públicos, que promove a redução das desigualdades regionais; a energia hidroelétrica gerada pelas usinas controladas pelo Estado que, é base para a oferta desse serviço essencial; e a exploração da camada do pré-sal que deu uma contribuição inigualável ao avanço tecnológico do país.

Por isso, pelo bem e pelo desenvolvimento justo do nosso país, defenda o patrimônio público. Participe da campanha “Não Deixem Vender o Brasil” no site Na Pressão (https://napressao.org.br/campanha/nao-deixem-vender-o-brasil) e fortaleça a luta pelo patrimônio do povo brasileiro. As empresas públicas são do povo e devem existir para atuar em prol da sociedade. #EstamosNessaLutaComVocê.

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