Artigo: Trabalho presencial só com segurança sanitária. A pandemia não acabou!

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

No último dia 1º/11/2021, o mundo ultrapassou a marca de 5 milhões de mortes causadas em decorrência da pandemia da Covid-19. Na última semana, os óbitos voltaram a subir 5% globalmente, segundo o mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). As piores situações são na Europa, que teve 14% mais mortes do que na semana anterior, e na Ásia, com um aumento de 13% no mesmo período. No Brasil, cerca de 55% da população teve seu ciclo vacinal completado até o momento.

O número de mortos pela Covid em todo o mundo é muito superior ao da maioria das epidemias virais dos séculos XX e XXI, como H1N1 e SARS, perdendo apenas para a gripe espanhola, ebola e Aids. No Brasil, mais de 605 mil pessoas já morreram em decorrência da Covid-19.

Entretanto, mesmo com a gravidade da pandemia, do surgimento de variantes como a Delta e a Gama e o aumento de casos em várias partes do mundo, os bancos vêm pressionando a categoria para a volta ao trabalho presencial, como se a pandemia já tivesse acabado, o que ainda não foi decretado pela OMS. Alguns como o Santander, por exemplo, já estão até voltando a atender em horário que era praticado antes de pandemia, ressalte-se, sem negociação com a representação dos funcionários.

Segundo a OMS, a chamada “volta à normalidade” só pode ser “adotada”, quando pelo menos cerca de 70% da população do país estiver completamente vacinada, o que não é o caso do Brasil. Mesmo assim, obedecendo a todos os protocolos sanitários, como distanciamento, álcool em gel e uso de máscaras.

Uma pesquisa do Dieese avaliou as condições de teletrabalho da categoria após mais de um ano de duração dessa modalidade neste período de pandemia de Covid-19. Mais de 13 mil bancárias e bancários responderam ao questionário, que aponta maior incidência de diagnóstico positivo de Covid-19 (38%) entre os que permaneceram no trabalho presencial do que entre aqueles que passaram à modalidade em home office (23%).

Munidos de todos esses dados, estamos negociando com a Fenaban um protocolo mínimo para o retorno ao trabalho presencial, além das negociações banco a banco. A representação da categoria quer a aplicação desse protocolo-base para garantir a segurança dos trabalhadores para que eles possam exercer suas atividades de forma tranquila, reforçando a proteção dos grupos de risco, que queremos que continuem em home office por enquanto, e a adequação dos ambientes de trabalho para essa nova realidade.

Estamos negociando ainda um protocolo de tratamento para funcionários que apresentam sequelas da Covid-19 para que eles possam ser atendidos e tratados de forma adequada.

Outro ponto que também preocupa o movimento sindical e que também está na nossa pauta de reivindicações nas negociações com os banqueiros é o fim das metas abusivas, do assédio e do adoecimento da categoria por conta dessas cobranças, além da garantia do tratamento para os trabalhadores que ficaram doentes por conta dessas ações dos bancos. A pressão que a categoria sofre nos locais de trabalho aumentou muito o adoecimento psíquico e isso não pode deixar de ser abordado.

Queremos um protocolo mínimo, com o uso de máscaras, como importante medida de prevenção da contaminação da Covid-19 e outras medidas protetivas visando sempre a saúde e a vida de todos, bancários e população. #VidaÉLuta!

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