Berzoini faz duras críticas a Paulo Guedes

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O site Brasil247 publicou, nesta segunda-feira (18), um artigo do ex-ministro Ricardo Berzoini sobre a declaração do atual ministro da Economia, Paulo Guedes, durante reunião ministerial do governo Bolsonaro, já repercutida aqui em nosso site. Guedes teria dito que é preciso “vender logo a porra do BB”.


Em seu artigo, Berzoini diz que “em um governo de boquirrotos e falastrões, o vazamento da bravata do ministro Paulo Guedes não surpreende. Em uma reunião de ministros milicianos em estado de pânico e um presidente da República sustado, com medo das investigações que atingem a ele e seus tresloucados filhos, o titular da economia saiu com essa: “vamos vender logo a “porra” do Banco do Brasil”.


As críticas feitas por Berzoini a Paulo Guedes são bastante duras. Para ele, “quem conhece Paulo Guedes sabe de suas limitações e da incapacidade de pensar qualquer estratégia para enfrentar o porte da crise que vivemos.”


Leia abaixo a íntegra do artigo de Berzoini, publicado pelo Brasil247.


Guedes: o BB é do Brasil e essa “porra” de milícia não vai privatizar


Ex-ministro Ricardo Berzoini critica em artigo a intenção da equipe econômica do governo, comandada por Paulo Guedes, em privatizar o Banco do Brasil, “uma dessas empresas que tem competência, capilaridade e potência para atuar na crise”. “Guedes é um mau economista e não tem nenhum compromisso com o Brasil”, diz ele


Em um governo de boquirrotos e falastrões, o vazamento da bravata do ministro Paulo Guedes não surpreende. Em uma reunião de ministros milicianos em estado de pânico e um presidente da República sustado, com medo das investigações que atingem a ele e seus tresloucados filhos, o titular da economia saiu com essa: “vamos vender logo a “porra” do Banco do Brasil”.


Quem conhece Paulo Guedes sabe de suas limitações e da incapacidade de pensar qualquer estratégia para enfrentar o porte da crise que vivemos. E sabemos que, pela vontade dele, privatizaria o BB e todas as empresas públicas, pois acredita que a radicalização do liberalismo traz investimentos que premiam os que fazem a “lição de casa”.


Em tempos normais, isso é falso. Em crises agudas, é desastroso. O mundo e o Brasil nele terão que fazer um enorme esforço para recuperar-se da depressão causada pela pandemia da COVID-19. Vários países estão estimando desembolsos de 20 a 25% do PIB, o que representaria, no Brasil, cerca de 1,5 a 1,8 trilhões de reais, para os gastos com a pandemia, com o auxílio a pessoas físicas e jurídicas, e com investimentos para reativar a economia, de forma selecionar criteriosamente, para evitar distorções e privilégios.


O governo do qual Guedes é ministro demonstra claramente não ter capacidade para estruturar uma estratégia para liderar a recuperação econômica. Além de ainda estar focado no equilíbrio fiscal, tema fora da pauta nos países que levam a sério o papel do Estado na economia, não aproveita as empresas públicas que aí estão e que são formidáveis ferramentas, se usadas com responsabilidade e critério.


O BB é uma dessas empresas que tem competência, capilaridade e potência para atuar na crise. Mas precisa de comando político, respeitando o fato de ser uma empresa que tem investidores privados. Ou seja, boa parte do crédito necessário para as micro e pequenas empresas passa pelo BB, CEF, BNB, Basa e BNDES. Esses bancos têm capacidade de atender a demanda, desde que haja uma mitigação de riscos, por garantias do Tesouro, lastreadas nas reservas internacionais. Todos geram lucro para o Tesouro Nacional e pagam muitos bilhões de impostos para a União, estados e municípios.


Mas privatizar o BB e outros bancos públicos é um desejo ancestral dos bancos privados, pois o banco é competitivo e incomoda os que querem concentrar ainda mais o mercado financeiro brasileiro. Sou funcionário do banco desde 1978 e já enfrentamos diversos ministros e presidentes, mais qualificados até, mas sem compromisso com o interesse nacional.


Guedes é um mau economista e não tem nenhum compromisso com o Brasil. Por ele, é “o mercado acima de tudo e a especulação financeira acima de todos”.