Fetrafi/Ne defende que qualquer decisão relacionada aos bancários seja realizada em mesa de negociação

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Durante a tarde de segunda-feira, 4, reuniram-se virtualmente os representantes de entidades filiadas à Fetrafi/NE, sua diretoria e assessoria jurídica, juntamente com representantes do Comando Nacional dos Bancários e assessoria técnica do Dieese, dando continuidade às reuniões do comitê de crise do Nordeste criado no último dia 24 de março.


Após discussão e diagnóstico político da atual conjuntura, foi avaliado que a principal defesa da categoria bancária é a constante mesa de negociação coletiva do Comando Nacional dos Bancários com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), desde o início da pandemia do novo coronavírus. Segundo o secretário da Contraf-CUT, Gustavo Tabatinga, “as reuniões do comitê de crise são instantâneas, acontecem a todo instante. Foi esse comitê que possibilitou que chegassem as demandas e denúncias dos locais de trabalho, as quais puderam ser passadas e reivindicadas em mesa de negociação, resultando no que temos conquistado até agora.” Ainda segundo Gustavo, não se tem notícia de categorias que tão cedo reivindicaram ações de informação, precaução e combate ao coronavírus como a bancária, o que também é resultado da ação eficaz do Comando Nacional.


Para Carlos Eduardo, presidente da Fetrafi/NE, o que pode ser observado em decisões que não são tomadas em mesa de negociação, sejam elas decisões judiciais ou de outros poderes públicos, é o risco de afetar a categoria sem dar o devido resguardo e garantias de condições de trabalho, para que os bancários possam executar plenamente o seu papel de ajudar a sociedade brasileira nesse período. “O momento é difícil. Vai ter o dia após a pandemia do coronavírus, mas nós temos que garantir que enquanto não acabar, a gente possa ter o trato coletivo e isso só será possível se colocarmos todos os temas em pauta nas negociações coletivas. Precisamos defender a saúde, as vidas bancárias e do povo.”


O técnico do Dieese, Reginaldo Aguiar, explica que é necessário pensar no futuro, em como ficarão as condições dos trabalhadores em virtude do momento atual que a economia mundial atravessa. Relata que, na contramão do mundo, o Brasil está conduzindo o processo de negociação trabalhista com uma grande tentativa de descartar a atuação dos sindicatos e das entidades de classe, enquanto que na Itália, por exemplo, as centrais sindicais foram chamadas para negociação e tiveram um papel preponderante nesse momento de enfrentamento à pandemia. “Mais do que nunca, hoje as entidades maiores têm um papel de ser um sinalizador para as demais categorias. Um papel importantíssimo até para mostrar para as demais categorias que não estão organizadas que o caminho da negociação é o mais importante que teremos que trilhar nos próximos meses. O período mais difícil da economia ainda está por vir e esses acordos serão de fundamental importância lá na frente, quando a economia estiver perdendo mais dinamismo”, afirma Reginaldo.


Em todas as falas dos representantes do Nordeste, foi unânime a importância de que é necessário reportar, durante todo o período de crise sanitária causada pelo novo coronavírus, todo e qualquer tema que afete diretamente a vida e o trabalho da categoria bancária para mesa de negociação coletiva entre Comando Nacional dos Bancários e Fenaban, como única forma de garantir conquistas que resguardem, acima do serviço essencial para o povo brasileiro, a vida de cada bancário e bancária da região.