Futuro do Saúde Caixa é debatido em plenária virtual organizada pela Fetrafi/NE

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Na noite desta terça-feira, 10 de outubro, a Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Nordeste (Fetrafi/NE) organizou uma plenária virtual para discutir as perspectivas do Saúde Caixa. O evento foi coordenado pelo presidente da Fetrafi, Carlos Eduardo Bezerra Marques, e contou com a participação dos sindicatos filiados à federação, com a presença dos presidentes do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Lindonjhonson Almeida; Bancários de Pernambuco, Fabiano Moura; e Bancários do Piauí, Odaly Medeiros.

Estiveram como convidados o presidente da Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal), Sergio Takemoto, e a coordenadora do CEE Caixa (Comissão Executiva dos Empregados da Caixa), Fabiana Uehara.

Na ocasião, Fabiana apresentou dados do relatório da administração do plano Saúde Caixa. É importante destacar que a Caixa Econômica Federal disponibiliza esses relatórios em seu site desde 2015. Os números apresentados revelaram uma tendência preocupante: a partir de 2016, o plano começou a operar com déficit.

Fabiana Uehara enfatizou que esse déficit está ligado a uma diminuição no número de funcionários da Caixa a partir de 2014. À época, havia cerca de 101 mil empregados, e essa redução teve um impacto significativo. Além disso, o envelhecimento da categoria fez com que, consequentemente, os empregados passassem a fazer uso mais frequente do plano de saúde. Isso cria um efeito cascata que não apenas reduz a arrecadação, mas também aumenta a utilização dos serviços.

O debate em torno do Saúde Caixa é caracterizado como dramático devido às projeções apresentadas pela própria Caixa Econômica Federal, que indicam um déficit de 355 milhões de reais. No entanto, os trabalhadores não concordam que esse fardo seja inteiramente repassado aos usuários do plano de saúde. “Há outras questões que consideramos de responsabilidade exclusiva da Caixa, como os custos administrativos. Até 2018, esses custos eram arcados pela Caixa, mas devido à CGPAR 23 e na tentativa de avançar nas negociações, eles foram compartilhados conosco. No entanto, nossa intenção, principalmente considerando a redução das diretrizes da CGPAR 23, é que esses custos retornem a ser integralmente cobertos pela empresa”, afirmou Fabiana.

Outro ponto relevante em discussão envolve os empregados que adoeceram em decorrência das atividades na Caixa. Isso inclui aqueles que possuem o benefício 91, relacionado a acidentes de trabalho. Os trabalhadores lutam para que esses custos não sejam transferidos para o Saúde Caixa, argumentando que a empresa deve arcar com essas despesas, uma vez que foi a própria empresa que ocasionou as enfermidades. Além disso, esses funcionários já enfrentam dificuldades adicionais, uma vez que têm que arcar com despesas de coparticipação ao utilizar o plano de saúde.

Sergio Takemoto, presidente da Fenae, ressaltou que a Caixa Econômica Federal continua enfrentando desafios em diversas áreas, incluindo problemas com atendimento, com cobrança abusiva de metas e o próprio plano de saúde. Ele destacou a importância da pressão dos trabalhadores para fazer com que o governo e a empresa atendam às demandas dos empregados. “Sabemos que as coisas não se resolvem da noite para o dia, mas tem algumas coisas que infelizmente não estão caminhando. E, como o próprio presidente Lula falou, para fazer o governo caminhar tem que ter pressão”.

Takemoto enfatizou que a luta pela qualidade do Saúde Caixa é fundamental e que os trabalhadores precisam continuar a pressionar e se organizar para garantir melhorias no plano de saúde. “O que nós temos que fazer é o que estamos fazendo aqui, nos reunir e nos organizar para fazer com que a empresa entenda o plano de saúde como um direito nosso. Que faça melhorias para que a gente tenha um plano de saúde de qualidade, pois não adianta ter só um plano de saúde viável financeiramente e de qualidade péssima”.

O presidente da Fetrafi/NE, Carlos Eduardo, destacou que a plenária virtual promovida pela Fetrafi/NE se mostra crucial na discussão sobre o Saúde Caixa, reforçando a determinação dos trabalhadores em garantir um plano de saúde viável financeiramente e de alta qualidade para todos os funcionários da Caixa. “A gente espera que o debate que realizamos aqui hoje ofereça uma contribuição para o fortalecimento, o engajamento, a mobilização e a conscientização pra essa luta que é tão importante para os empregados da Caixa e que é também luta de todas as entidades sindicais dos bancários”.

Fonte: Fetrafi/NE

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