Itaú lucra muito, mas continua fechando agências

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Apesar de ter obtido um lucro superior a R$ 25 bi em 2018, o Itaú segue fechando postos de trabalho e agências por todo o país. Ironicamente, apesar de uma alta de 7,1% em 2018 nas despesas com pessoal, o banco paga toda a sua folha apenas com a receita com prestação de serviços e tarifas bancárias e ainda sobra 60,41% do arrecadado.


A holding encerrou o ano 2018 com 86.801 empregados no país. Entretanto, a rotatividade segue alta com o banco trocando funcionários antigos com salários mais altos, por novos funcionários com remuneração mais reduzida. O turnover (rotatividade) em 2019, apenas nos meses de janeiro e fevereiro, dá conta que foram admitidos 718 funcionários e demitidos 664. Dentre essas demissões, o público alvo realmente foram os funcionários com mais tempo de casa, o que significa um total desrespeito com os colegas que, em sua trajetória, ajudaram o banco a atingir essa alta lucratividade.


Em 2018 foram fechadas 61 agências físicas e abertas 35 agências digitais (que somaram 3.530 e 185 unidades, respectivamente). Em junho do mesmo ano, numa reportagem da revista Exame, o presidente do banco, Candido Bracher, afirmou que o banco não tinha uma meta de fechamento de agências, mas que o número da rede em dez anos seria muito menor do que o atual. Segundo o próprio presidente, “a venda de produtos será cada vez mais no digital”.


“O lucro vem acima de qualquer coisa para a direção do Itaú. Querem lucrar mais ainda sobrecarregando os funcionários e precarizando o atendimento. Essa postura prejudica não só os trabalhadores, mas toda a sociedade. Com cifras de lucro tão exorbitantes, o sistema financeiro deveria adotar medidas para promover o desenvolvimento, mas com atitudes como essa fica claro que o Itaú não se interessa por responsabilidade social”, afirmou Ribamar Pacheco, diretor do Sindicato e representante da Fefrafi/NE na COE Itaú.