OPINIÃO: 1º de Maio de luta, solidariedade e “fora Bolsonaro”

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Tempo de pandemia e de isolamento social não é sinônimo de tempo sem luta. O dia 1º de Maio deste ano promete, como sempre, ser de muita luta, mobilização e solidariedade, além de ser um momento histórico, pois pela primeira vez na história, para respeitar as normas de segurança sanitária da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Dia do Trabalhador será on line, unificado, transmitido pelas redes sociais das centrais sindicais, frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.


A programação acontece a partir das 11h30, com a participação de artistas diversos. A ideia é que milhões de pessoas participem deste dia de solidariedade de classe e que fique em destaque a pauta da classe trabalhadora em defesa da vida, da saúde, dos direitos sociais e trabalhistas, dos salários e empregos. Todos em casa, se protegendo contra o coronavírus, mas com muita mobilização e luta pelas redes sociais.


A luta também é em defesa da democracia e de um projeto diferente de Nação, o que se traduz no “Fora, Bolsonaro!”. Com Bolsonaro não há democracia, não há empregos, saúde, educação, políticas sociais, não há tolerância e muito menos solidariedade.


Durante a transmissão ao vivo da mobilização, os sindicalistas, autoridades e artistas convidados, que gravarão suas mensagens e músicas, vão pedir a quem tiver condições, a doação de alimentos, máscaras e produtos de higiene e limpeza para os mais necessitados.


Estaremos destacando também que as políticas neoliberais, de redução do papel do Estado, sucateamento da área da saúde e extinção ou redução de programas sociais contribuem para que os efeitos da pandemia sejam ainda mais cruéis para os mais pobres e vulneráveis do país. Além de tudo isso que já vinha sendo feito pelo governo Bolsonaro, agora o governo nega a gravidade da pandemia, que insiste em chamar de gripezinha, a aproveita a emergência sanitária para tirar direitos dos trabalhadores como no caso das medidas provisórias 927 e 936, que autorizam a redução de jornadas e salários, a suspensão dos contratos de trabalho e negociações individuais sem a participação dos sindicatos, expondo os trabalhadores, o lado mais fraco dessa relação.


Estamos também mantendo negociações coletivas para garantir a defesa da vida dos trabalhadores bancários e da população, em primeiro lugar, procurando garantir as devidas proteções e conter aglomerações, minimizando a disseminação do vírus. Mas para isso, o poder público, as autoridades precisam atender necessidades do povo. Nesse momento é preciso questionar o lucro e a desigualdade entre ricos e pobres, é preciso que o dinheiro público vá sem burocracia e atraso para mãos de quem mais precisa, garantindo segurança de alimentação e renda.


É preciso olhar para todos e não só para os ricos. É preciso manter os serviços essenciais com condições de trabalho, saúde, segurança para que o povo que mais precisa não fique na fila do abandono. O coronavírus não é uma gripezinha, e seus efeitos econômicos levam os ricos a desejarem que a classe trabalhadora pague com a própria vida. Não dá para negociar a tal “volta à normalidade” pregada pelo governo Bolsonaro, enquanto casos estiverem crescendo, pessoas estiverem morrendo. É preciso uma negociação responsável entre poder público e trabalhadores, respeitando, primeiramente, a vida das pessoas e não o lucro.


Vamos ficar em casa, participar do 1º de Maio nas redes sociais. Temos que resistir e lutar.

 


Carlos Eduardo – presidente do Sindicato dos Bancários do Ceara e da Fetrafi/NE