Santander insinua a possibilidade de reduzir salário e benefícios durante a pandemia

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Além de demitir, aumentar a cobrança de metas e flexibilizar os protocolos de segurança durante a pandemia do novo coronavírus, o presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, vem insinuando mais uma maldade para o funcionalismo: uma pesquisa questiona se os funcionários aceitam abrir mão de parte de salários e benefícios para trabalhar 100% em home office.


Recentemente, funcionários da TI, que atuam em São Paulo, foram convocados a responder uma pesquisa para saber quais deles aceitariam perder parte dos salários e direitos. Em uma “live” realizada nos últimos dias, Sérgio Rial, já havia afirmado o interesse do banco em manter trabalhadores em home office permanentemente, e não descartou cortes de verbas para estes bancários. “Se tudo isso (teletrabalho) te poupa tempo, você deixa de gastar combustível, tua vida fica mais fácil, até sob o ponto de vista econômico, por que não dividir alguma coisa dessas com a empresa? Por que não pode ser voluntário com alguma abdicação de algum benefício, de algum salário desde que seja voluntário?”, disse o Rial durante a transmissão. Ele questiona ainda o fato de que, segundo ele, “nem sempre quem está ocupado o dia inteiro, está produzindo. Pode ser que em alguns casos não tenha realizado nada que seja relevante para o cliente”, disse.


A postura de Rial é de total desrespeito com os trabalhadores que estão sendo massacrados no dia a dia do banco, mesmo os que estão em home office. O “motor de vendas” está sufocando os trabalhadores, que ainda são ameaçados de demissão. E agora mais esta leva de desrespeitos, com frases absurdas e uma proposta ultrajante de redução salarial.


Nada justifica a retirada de direitos – Parece até brincadeira essa insinuação vinda de um presidente de um banco que todos os anos alcança lucros bilionários. Somente no primeiro trimestre deste ano, o Santander teve lucro líquido de R$ 3,77 bilhões, 10,5% maior que o ano passado. O Santander Brasil responde por quase 30% do lucro, o maior do conglomerado espanhol mundial. Fruto do trabalho dos funcionários, que estão na linha de frente contraindo Covid-19.


Além disso, é importante esclarecer que quem está em home office não gasta menos. Existem custos de equipamento, internet e outros insumos, que até o momento o banco não fez proposta para arcar com estes custos no Brasil. Em contrapartida, fez na Argentina, onde há remuneração para isso. Sem falar na inserção do mundo do trabalho no cotidiano da família, o lazer, os problemas que este tipo de trabalho acarreta para todos, muitas vezes não havendo diferenciação de trabalho e lazer.


Os trabalhadores que receberam a pesquisa estão sendo cobrados a responder por vídeo aos questionamentos, diretamente para os gestores, o que gera constrangimento e configura abuso e assédio. Ademais, a consulta interna já sugere uma implementação da retirada de benefícios sem qualquer negociação prévia com os sindicatos, o que fere o direito de organização e de negociação coletiva, previstos em compromissos internacionais dos quais o Santander é signatário.


O Sindicato vai fazer tudo a seu alcance para barrar mais este ataque aos direitos e salários da categoria e orienta: em caso de pressão ou irregularidades, denunciem imediatamente ao Sindicato pelo e-mail: bancariosce@bancariosce.org.br.