Santander: Negociação com o banco frustra funcionários

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A Contraf-CUT, por meio da Comissão de Organização dos Empregados (COE), e demais entidades de representação dos trabalhadores se reuniu com o banco Santander no Comitê de Relação Trabalhistas (CRT) dia 25/4 para debater questões do funcionalismo. O CRT é uma conquista dos bancários do Santander prevista na cláusula 35 do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico do banco, aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). A CRT se reúne a cada dois meses para tratar das questões de relações trabalhistas.

Um dos temas tratados foi a reivindicação da extensão do prazo para obter a certificação CPA-10, considerando que o normativo do Banco Central 3.158/2003, estabelece o prazo de até um ano, a partir da contratação ou a partir da ascensão a novo cargo. Em resposta, o banco prorrogou por mais 30 dias o prazo para a realização das provas.

Unificação de cargos – O banco avalia que o atual modelo de atendimento segmentado está ultrapassado e que, com o novo modelo, embora haja mais gerentes de negócios e serviços, não haverá aumento de metas para o chamado “carteirão”, a carteira de clientes. O banco se comprometeu em garantir que o trabalhador tenha seu tempo de treinamento com dedicação exclusiva dentro da jornada de trabalho. A configuração dos cargos dependerá de cada caso nas agências. Nem todos os caixas deverão ser migrados para os novos cargos de gerentes de negócios e serviços. Cerca de 2.000 caixas permanecerão nessa mesma função.

Abertura aos finais de semana – A Contraf-CUT reivindicou que o projeto de abertura de agências nos finais de semana para educação financeira seja apresentado na íntegra. O banco sustenta que será um trabalho voluntário dos funcionários em 29 agências do país e que não haverá trabalho comercial nas agências que trabalharão com orientação financeira.

Reembolso de KM rodado – O banco afirmou que já está em estudo a majoração do valor do quilômetro rodado e seu novo valor será anunciado nos próximos dias. Outras reivindicações, como retorno ao trabalho e plano de saúde ficaram para serem discutidas na próxima reunião.

Lucro – O Santander lucrou R$ 3,485 bilhões no 1º trimestre de 2019, de acordo com DIEESE. Segundo o balanço do banco, a receita com prestação de serviços mais a renda das tarifas bancárias cresceu 9,6% em doze meses, o que totalizou R$ 4,5 bilhões. Em contrapartida, as despesas de pessoal mais PLR subiram apenas 0,4%, atingindo R$ 2,3 bilhões. Desta forma, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 195% no 1º trimestre de 2019. Mesmo com altos lucros, no 1º trimestre de 2019, o banco abriu apenas 220 postos, menos da metade do número de postos fechados em 2018 (623). A holding encerrou 2018 com 48.232 empregados.


“O Santander tem, sucessivamente, crescido seu lucro e isso deveria ser revertido em prol dos funcionários, com melhorias nos planos de saúde e previdência, nas condições de trabalho, valorizando os trabalhadores que são os que realmente dão lucro para o banco”
Clécio Morse, diretor do Sindicato e funcionário do Santander


 

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