Vídeo da reunião ministerial é prova de ataques ao Banco do Brasil

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Mais uma vez, ficou claro que o Banco do Brasil é vítima dos ataques do governo Bolsonaro. Durante a reunião ministerial, citada pelo ex-ministro Sergio Moro como prova das pressões que sofria para alterar a diretoria da Polícia Federal, o ministro da Economia, Paulo Guedes, teria afirmado que é preciso “vender logo a porra do BB”.


“Não precisava nem ouvir o que foi falado na reunião. Basta ver a tranquilidade que Rubem Novaes tem para tocar o banco como se o Banco do Brasil fosse um banco privado, que em nenhum momento se colocou para contribuir com a solução do problema das filas na Caixa (Econômica Federal)”, observou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga. “O BB está alheio a tudo isso que está ocorrendo com a Caixa e, mesmo com toda sua importância, se tornou um coadjuvante”, completou.


A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, também falou sobre o assunto. “Não é a primeira vez que o Guedes deixa claro sua intenção de privatizar o Banco do Brasil. O banco já tinha sido incluído na lista de empresas a serem privatizadas e depois houve o recuo por causa da repercussão que a declaração teve. Mas, sem falar em privatização, o banco vem sendo vendido aos poucos. Suas partes mais rentáveis já foram vendidas e vai chegar uma hora que vai ficar só o ‘esqueleto’”, disse. “Esta é a hora de a gente usar todas as formas possíveis para denunciar esta manobra e mostrar para a sociedade o que ela pode perder com a venda do banco”, completou.


Além dos ministros, os presidentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal estavam presentes na reunião e tiveram a oportunidade de ver e ouvir a declaração de Guedes ao vivo.

Falta de transparência


Para Fukunaga, este é um dos motivos que faz com que o governo lute tanto contra a divulgação da íntegra do vídeo da reunião. “Não tem nada de ‘questão de segurança nacional’. O fato é que, se o vídeo na íntegra vier a se tornar público, muitas das tramoias que o governo faz por baixo dos panos podem vir à tona, como a intenção de venda do banco”, disse Fukunaga.


A divulgação, ou não, da reunião tem sido o principal tema discutido na política nacional. A divulgação da íntegra do vídeo depende de determinação judicial.