Artigo: É preciso negociar o retorno ao trabalho presencial para preservar vidas

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

O movimento sindical bancário está muito preocupado com o retorno ao trabalho presencial nos bancos. Muitas instituições financeiras estão enviando convocações ou o que elas chamam de “convite” ao retorno às agências, sem a devida negociação com as entidades sindicais. Nossa apreensão é de que esse retorno seja feito de forma desordenada e apressada colocando em risco a vida de todos, bancários, demais trabalhadores das agências, clientes e usuários.

Desde o início da pandemia, o movimento sindical bancário tem se desdobrado para proteger a saúde e a vida da categoria, tendo conquistado o home office para milhares de trabalhadores, além do funcionamento em horário especial das agências. Temos também insistido na necessidade de negociar com cada banco sobre as especificidades do retorno ao trabalho presencial e estamos na mesa permanente de saúde para negociar com a Fenaban os protocolos para o retorno, porque o que está em jogo é a vida dos bancários e seus familiares, pois a pandemia ainda não está totalmente controlada.

Nós, do movimento sindical, acreditamos que o retorno não pode ser feito antes de um maior número de pessoas estar completamente imunizada e, ainda assim, com todos os cuidados necessários. O número de morte diárias ainda está alto, cerca de 500 pessoas por dia, e em muitas localidades do Brasil, a vacinação ainda está muito lenta.

Os grupos de risco são os mais preocupantes e estamos vendo os bancos pedindo o retorno já a partir deste mês, inclusive de pessoas com comorbidades. Além disso, é preciso exigir dos bancos o cumprimento dos protocolos de saúde e sanitização e reforçar o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), como máscaras N95 e álcool em gel.

Uma pesquisa feita pelo Dieese avaliou as condições do home office para a categoria após mais de um ano de duração dessa modalidade, medida negociada pelo Sindicato e que foi fundamental para garantir a segurança dos trabalhadores durante a pandemia. Os dados da pesquisa mostram que houve maior índice de diagnóstico positivo de Covid-19 (38%) entre os que permaneceram no trabalho presencial do que entre os que foram para o teletrabalho (23%).

A pesquisa foi fundamental para avaliar as condições de trabalho da categoria em home office, após quase dois anos. Revelou que a luta do movimento sindical para manter o teletrabalho reduziu o contágio e salvou vidas. Nosso desafio agora é regular os acordos com os bancos, para que o trabalhador não aumente seus custos, e estabeleça limites de jornada, com a melhora nas condições de saúde. Somente no 1º semestre do ano, os cinco maiores bancos do país economizaram R$ 300 milhões com despesas administrativas como água, luz, gás, vigilância, transporte, viagens, conservação de bens etc. É inaceitável que os bancários aumentem suas despesas mensais enquanto os bancos economizam e mantêm seus bilhões em lucros.

O fato de termos negociado no ano passado a ida de boa parte da categoria para o teletrabalho e discutirmos medidas protetivas para quem ficou nas agências foi decisivo para salvarmos vidas. Agora, a formalização de um protocolo nacional para o retorno ao trabalho presencial é de vital importância para termos medidas de proteção rígidas nos ambientes. Queremos um protocolo base acordado com os bancos porque a chamada “volta à normalidade” pode ser muito perigosa para todos. Nossa prioridade é preservar vidas. #VidaéLuta!

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