Artigo: Mesmo com lucros altos, bancos seguem demitindo até no Natal

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

Final de ano chegando e muitas famílias ansiosas para celebrar o Natal com seus entes queridos, já que com o avanço da vacinação já podemos, seguindo todos os protocolos sanitários, nos reunirmos novamente com aqueles que amamos. Entretanto, os banqueiros têm tornado esse momento tão esperado com um gosto amargo para muitas famílias.

Segundo dados do Novo Caged, o saldo de empregos no setor bancário foi positivo em outubro, com a geração de 1.012 vagas. Mas esse resultado foi impactado pelas contratações da Caixa decorrentes de decisão judicial favorável aos aprovados no concurso de 2014. Excluindo-se o resultado da Caixa, os bancos apresentariam fechamento de 44 postos de trabalho neste mês. Por sua vez, o saldo positivo também não reflete o movimento de contratações e demissões nos quatro maiores bancos do país (BB, Itaú, Bradesco e Santander). Estes se enquadram na categoria “bancos múltiplos com carteira comercial”, e esta categoria extinguiu 77 postos de trabalho em outubro, e 1.441 nos últimos 12 meses.

O que se percebe ao analisar os dados do Caged é que o saldo positivo de empregos não significa aumento de contratações para as funções tradicionais de bancários. O que o setor está fazendo é contratar mais profissionais de TI, muitos deles terceirizados. Mas os maiores bancos continuam extinguindo empregos, principalmente nas agências físicas. Dessa forma, a categoria está cada vez mais sobrecarregada, adoecendo, e o atendimento presencial da população está ficando ainda mais precarizado.

Esta semana que passou estivemos nas ruas denunciando essa postura de demissões, fechamento de agências, pressão por metas e sobrecarga de trabalho, em pleno período natalino, e realizamos manifestações no Itaú e no Bradesco cobrando desses bancos a responsabilidade social que eles propagandeiam na mídia e nos anúncios de TV.

Além disso, o Caged constatou também que o número de desligamentos por pedido do empregado no setor bancário tem aumentado nos últimos meses. No início da pandemia até outubro de 2020, o número desse tipo de desligamento representava em média 1/4 total. Nos últimos dois meses tem superado 40% do total de desligados, ou seja, para cada dez desligamentos quatro foram motivados por iniciativa do trabalhador. Nos últimos 12 meses foram mais de 15 mil pedidos de demissão. O Dieese observa que compreender a motivação não é uma tarefa fácil, e lista como uma das possíveis motivações o esgotamento dos trabalhadores por conta de pressões com metas abusivas.

Lembramos que, logo no início da pandemia, em exaustivas rodadas de negociações, conquistamos o compromisso de não demissão durante a pandemia. Entretanto, mesmo que para a Organização Mundial da Saúde (OMS) a pandemia não tenha previsão de acabar, para os bancos parece que ela acabou há muito tempo.

Estaremos sempre vigilantes e firmes na luta pela manutenção dos empregos, por mais contratações, por condições de trabalho decentes e em defesa dos direitos da nossa categoria. Nossa luta não para! #VidaÉLuta!

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