ARTIGO: Solidariedade ao padre Lino Allegri. Abaixo o fanatismo, o ódio e a intolerância!

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

O ódio e a intolerância chegaram a um nível assustador em nossa sociedade. No último domingo, dia 18 de julho, o padre Lino Allegri foi vítima do fanatismo de um grupo de fiéis católicos bolsonaristas que frequentam a Igreja da Paz, em Fortaleza e precisou ser afastado da Paróquia por segurança, após sofrer ameaças através do WhatsApp. O motivo: o padre fez, no último dia 4/7, críticas ao governo Bolsonaro e lembrou as mais de 500 mil vítimas por Covid-19 no Brasil.

No último domingo, um grupo de bolsonaristas foi à igreja usando camisas com as escritas “Bolsonaro 17” e camisas da Seleção Brasileira para criticar a postura do padre.

O padre Lino tem 56 anos de vida sacerdotal e deverá solicitar o ingresso no Programa Estadual de Proteção aos Defensores e Defensoras de Direitos Humanos (PPDDH). O sacerdote já realizou reunião virtual com membros da Defensoria Pública e do Ministério Público do Ceará (MPCE) para tratar sobre as ameaças e ataques virtuais ocorridos na Paróquia da Paz.  Ao tomar conhecimento da situação, o governador Camilo Santana (PT) determinou que o caso seja investigado pelas forças de segurança do Estado.

O padre é defensor da Teologia da Libertação, movimento considerado apartidário que engloba várias correntes de pensamento interpretando os ensinamentos de Jesus Cristo como libertadores de injustas condições sociais, políticas e econômicas. A vertente religiosa ganhou força no interior da Igreja Católica na década de 1960, logo conquistando a América Latina. O movimento, porém, enfrenta opositores históricos, sendo criticado e acusado de deturpar o caminho divino e adotar o marxismo como base ideológica.

O padre Lino é conhecido por utilizar a mensagem cristã para distribuir amor, compaixão e solidariedade, sobretudo com aqueles que mais precisam. Muito diferente daqueles que utilizam a intolerância, o autoritarismo e a violência para perseguir quem denuncia as mais de 542 mil mortes por coronavírus ocasionadas por uma política negacionista e genocida promovida pelo governo Bolsonaro.

Através de nota, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), vinculada à CNBB – Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, manifestou solidariedade ao padre Lino Allegri e expressou repúdio pelo que classificou como “atitude típica de apoiadores de ideologias identificadas com a violência”. Ainda afirma que o sacerdote é um “legítimo defensor da paz, da Justiça e da Igreja como um lugar comunitário de acolhimento”.

Recentemente, durante a 58ª Assembleia Geral da CNBB, a entidade cobrou ações mais contundentes do governo Bolsonaro frente à pandemia. O episcopado também criticou o negacionismo e o desprezo às medidas sanitárias que caracterizaram as ações do governo federal durante a maior crise sanitária de nossa história.

Manifestamos toda a nossa solidariedade e apoio ao padre Lino Allegri. As ameaças sofridas por ele são inaceitáveis. Portanto, ao mesmo tempo em que prestamos solidariedade, repudiamos, veementemente, todo e qualquer ato de intolerância, fundamentalismo e de violação dos direitos humanos. Queremos construir um país cada vez mais justo, igualitário e fraterno e sem posturas antidemocráticas. O ódio e a intolerância não vencerão!

 

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