Itaú: demissões voltam a assombrar bancários no fim de ano

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Na chegada do fim de ano, e ainda com a pandemia em curso, que mantém um saldo de mais de 13 milhões de desempregados, o Itaú – que obteve lucro de R$ 19,7 bilhões apenas entre janeiro e setembro de 2021 – voltou a promover demissões nos últimos dias, muitas delas na Central de Atendimento.

Muitas das dispensas foram de trabalhadores que estavam voltando de licença médica por doenças como depressão, síndrome do pânico e síndrome de burnout – adquiridas justamente no trabalho para o banco. Outros foram demitidos durante o período de reabilitação, ou ainda que continuam em home office por serem do grupo de risco para o coronavírus. Além disso, houve casos de funcionárias que foram dispensadas ao voltar da licença maternidade.

O Sindicato dos Bancários do Ceará considera inconcebível um banco que apresenta um lucro astronômico, e onde a sobrecarga de trabalho e o acúmulo de funções são frequentes, promover demissões em meio a uma das mais graves crises sociais da história do país, quando milhões de pessoas estão desempregadas.

Desculpas esfarrapadas – Na hora da demissão, os bancários frequentemente ouvem justificativas como “o banco está reestruturando e você não se encaixa mais no perfil da área”, “você não está mais nos planos do banco” ou, simplesmente, “o banco optou por te demitir”.

A representação dos funcionários cobra que o banco cesse as demissões e diminua as metas, além de promover um curso de RH para os seus gestores, que muitas vezes não sabem lidar com seus subordinados. Reivindicamos ainda a volta do Centro de Realocação para empregados que perdem sua função em determinada área ou departamento.

Assédio moral – Além das demissões, os trabalhadores também enfrentam assédio moral constante, o que gera muita angústia e adoecimento. Os bancários contam que ouvem ameaças do tipo “se você não bater a meta, não tem mais como te segurar na empresa”, ou “você vai ser o próximo a ser demitido”. Os funcionários em home office recebem ligações e mensagens constantes por meio das quais são pressionados por resultados, sob risco de dispensa.

Sobrecarga – No 3º trimestre de 2016, o Itaú tinha 67,9 milhões de clientes, número que saltou para 87,5 milhões no terceiro trimestre de 2021. Um aumento de 28,9%. A quantidade de trabalhadores, por sua vez, aumentou apenas 5,5% no mesmo período, passando de 81.737 para 86.195. Os dados são do Banco Central e das Demonstrações Financeiras do Itaú. Os números mostram que a sobrecarga de trabalho só aumentou nos últimos cinco anos no Itaú. Portanto não há nenhuma justificativa para o banco demitir, ainda mais em um momento tão difícil pelo qual o país atravessa.

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