Queda no lucro do Santander viraria crescimento de 8,8% sem a PDD

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O Santander obteve um Lucro Líquido Gerencial de R$ 5,989 bilhões no 1º semestre de 2020, mesmo após ter realizado uma provisão para créditos de liquidação duvidosa (PDD) de R$ 10,4 bilhões.

A queda de 15,9% do lucro no primeiro semestre registrado pelo banco, seria uma alta de 8,8%, ao ser excluído o efeito da provisão extraordinária e elevaria o lucro para R$ 7,749 bilhões, de acordo com análise feita pelo Dieese com base nos dados de relatório apresentado pelo banco dia 29/7. Os valores das despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) cresceram 63%. Segundo o banco, essa alta na PDD é decorrente de uma despesa de provisão extraordinária de R$ 3,2 bilhões no trimestre.

No primeiro trimestre de 2020 o banco já havia registrado lucro líquido gerencial de R$ 3,85 bilhões, crescimento de 10,5% na comparação com o mesmo período de 2019.

Ou seja, houve queda de crescimento, mas essa queda se deu devido à reserva de recursos feita pelo banco para um possível calote que, na verdade, vem se reduzindo. Todo esse montante continua nos cofres do banco e podem ser resgatados futuramente.

País das maravilhas – Outra variável que mostra que o Santander Brasil não tem do que reclamar é rentabilidade obtida pelo banco. O retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio Anualizado (ROE) ficou em 17,1%. Excluindo-se o efeito da PDD adicional, a rentabilidade ficaria em 22,1%. Outro dado do balanço do banco que podemos destacar é que o lucro obtido no Brasil representou 32% do lucro global do Santander, que foi de € 1,908 bilhão (queda de 48% em relação ao 1º semestre de 2019, em Euros constantes). O resultado global foi fortemente impactado pela pandemia da Covid-19 no mundo e a deterioração do cenário econômico decorrente desta.

Com a cobrança pela prestação de serviços e tarifas bancárias, o Santander obteve uma receita de R$ 8,584 bilhões. Isso é 87,2% maior do que toda a despesa que o banco tem com seus funcionários, que somou R$ 4,585 bilhões no período. Enquanto isso, o banco continua o processo de fechamento de postos de trabalho em plena pandemia. A holding encerrou o 1º semestre com 46.348 empregados, com fechamento de 2.564 postos de trabalho em doze meses, sendo 844 apenas no segundo trimestre, durante o período de pandemia. Da mesma forma, foram fechadas 93 agências em doze meses, sendo 50, entre março e junho de 2020.

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