Artigo: Brasil não pode ser o país do desemprego!

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Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará

Já dizia Gonzaguinha: “o homem se humilha se castram seu sonho, seu sonho é sua vida e vida é trabalho. E sem o seu trabalho um homem não tem honra…”. A música é de 1983, mas nunca foi tão atual diante do abismo do desemprego em que o país está se afundando.

Com um governo que nunca se preocupou em propor uma política de geração de emprego e renda, cada dia cresce mais a fila de desempregados no país, diante disso cresce a fome, a miséria, o desalento, o endividamento e a economia afunda. E o país para. O PIB caiu 0,1% e o Brasil está oficialmente em uma recessão técnica. Tudo culpa de um governo que, simplesmente, não governa. Não tem projeto para o país.

Em 2020, o governo Bolsonaro chegou a comemorar a geração de 75,9 mil empregos em plena pandemia. O ministro da Economia, Paulo Guedes, se baseou nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mas agora, depois de rever a movimentação, os técnicos voltaram atrás e admitiram que, na verdade, houve redução e 191,5 mil postos de trabalho no ano passado. As empresas têm um ano para divulgar ao Caged o número de contratações e, eventualmente esses números podem apresentar variações, entretanto, o governo Bolsonaro divulgou os números iniciais para tentar ludibriar a população de que a economia estava bem e o governo estava gerando empregos. Agora, foi desmascarado.

Hoje os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, mostram que o índice de desemprego vem caindo (de 14,2% para 12,6%), no trimestre de julho a setembro de 2021, em relação ao trimestre de abril a junho de 2021. O que, aparentemente, parece ser uma boa notícia mascara a tragédia do trabalhador brasileiro que está ganhando cada vez menos e sem direitos básicos como 13º salário, FGTS e férias, entre outros, por que as vagas geradas são sem carteira assinada. E, apesar do ligeiro aumento ainda faltam empregos para 30,7 milhões de brasileiros, se for considerada toda a mão de obra ainda subutilizada. Ou seja, estão caindo o desemprego e a subutilização, mas estão sendo ampliadas as formas de controle de contratos precários.

A taxa de informalidade teve um novo aumento. Foi de 40,6% da população ocupada, ou 38 milhões de trabalhadores informais. O rendimento médio também caiu, de R$ 2.562 para R$ 2.459 (menos 4,4%). No ano, o acumulado das perdas é ainda maior, chegando a 11,1%, já descontada a inflação do período.

O projeto de desenvolvimento que queremos para o nosso país deve ter como tema central a justiça social. Não adianta crescer, sem projeto e sem distribuição de renda. Por isso, além de outras medidas, os empregos precisam ser de qualidade, com direitos e salários dignos, para todos.

Precisamos de um governo que inclua as pessoas, que dê oportunidades, que tenha uma política efetiva de geração de emprego e renda, que cuide das pessoas e que pense nos trabalhadores. Se temos um cenário de pleno emprego, com postos de trabalho dignos, os pequenos negócios crescem, o consumo aumenta, movimenta toda a economia e o país volta a crescer. Precisamos de um governo progressista, inclusivo, e que respeite os direitos de todos! #VidaÉLuta!

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